sábado, 13 de dezembro de 2008

13 de Dezembro: "Alegria"

Hoje regressamos às músicas tradicionais de outros países. Esta é de Porto Rico e o título é bem sugestivo da quadra que vivemos - Alegria - que nos fala da alegria sentida por Maria e José a caminho de Belém. Que possa ser também a alegria partilhada por todos nós a caminho deste Natal.
Bom fim-de-semana!
Raio de Sol

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

O que me emociona (6)

Existem vários filmes que são capazes de o fazer, mas este é um dos que melhor cumpre essa "missão".

Reveste-o toda uma imensa sensibilidade. Além disso, este momento musical arrepia-me (cliquem aqui).

A música do Bau e o bailado final, fazem-me sempre verter uma lagrimeta.

Edição Especial do Calendário do Advento

As sugestões dos leitores deste blog dão origem a uma edição extra para encher de músicas o vosso fim-de-semana!

Logo no primeiro dia houve várias sugestões - da Sofia, do Luis e da Bé. Há uma música que ainda não encontrei e outra que vai surgir um destes dias. As restantes ficam aqui partilhadas:
Little Drummer Boy, uma versão bem diferente e bonita da música do dia 9, interpretada pelo David Bowie e Bing Crosby.
Jingle Bell Rock, com o Billy Idol (este senhor ainda anda por aí?).
Wonderful Christmas Time com o Paul McCartney.
Obrigada a todos! Continuem a enviar sugestões.
Raio de Sol

Uma ideia que vale a pena importar

Os restaurantes nos EUA (e alguns países da Europa também), dos mais simples aos mais sofisticados, têm uma prática que gostaria muito de ver implementada em Portugal: oferecer ao cliente a possibilidade de embalar a comida que sobra para ele levar para casa.
Faz ou não todo o sentido? Quando fazemos comida em casa muito naturalmente guardamos o que sobra e comemos nos dias seguintes, não é? Porque não fazer o mesmo com a comida no restaurante, aquela que nos foi servida e que será, inevitavelmente, estragada se for para trás?
Em Portugal isto não se faz pois "não fica bem" e é comum sentirmo-nos constrangidos com "o que os outros vão pensar de nós". Estes pré-conceitos, a par com o facto de nenhum restaurante ter a coragem de oferecer este serviço de forma natural e descomplexada, podem ser algumas das causas para que tal aconteça. É pena. Cada vez mais acho que é uma questão de bom senso e de respeito pelo dom dos alimentos e por todos aqueles que não os têm. E se começássemos a fazer diferente? Importamos tanta coisa... e se importássemos esta boa ideia também?
Raio de Sol

12 de Dezembro: "Santa Claus is coming to town"

You'd better watch out!
You'd better not cry!
You'd better not pout!
I'm telling you why,
Santa Claus is comin' to town.
He's making a list
and checking it twice.
He's going to find out
who's naughty and nice.
Santa Claus Is Comin' To Town.

O Pai Natal está a chegar e ninguém o espera com tanto entusiasmo e há tantos dias como a Laura, a minha afilhada de 3 anos e meio que eu adoro!
A mãe explicou-lhe que para o Pai Natal não se esquecer dela tinha que saber que dormia no próprio quarto, na própria cama. Ela, renitente, aceitou e agora, todos os dias ao acordar faz a pergunta inevitável: "o Pai Natal já chegou?"... Sim, que isto de não dormir com a mãe tem que acabar, não é?...
Espero que gostem da escolha e que vão sentindo, a cada dia que passa, como o Natal está mais e mais pertinho.
Raio de Sol

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

O que me emociona (5)

Um dia, como o de hoje, em que:

- presenciei bondade e generosidade;

- me encheram de mimos;

- me senti feliz, única e amada.

A todos quantos contribuíram para que tal acontecesse, obrigado!

É 1 trinta e 1!

Hoje é um dia memorável! Manoel de Oliveira, cineasta português, completa 100 anos e continua activo. Activo no mundo da sétima arte e activo nas posições que toma.

A propósito de tal efeméride relembro aqui um sketch humorístico sobre o cinesta português, mais conhecido internacionalmente. Cliquem aqui.



Mas o dia de hoje também ficará para sempre nos anais da história por outra razão: hoje sou ainda mais piquenina e faço 31 anos!

Não sou particularmente fã do dia do meu aniversário e houve anos em que me portei mesmo muito mal, tendo o telefone desligado todo o dia! Pancadas!
Este ano que passou, particularmente duro, não deixa muitas saudades mas traz-me motivos de festejo. Parece paradoxal, mas não é. “Perdi” o emprego, houve um relacionamento que terminou, perdi alguns sonhos mas resgatei a minha pessoa! Todos os dias em que supero mais uma dificuldade são dias de festa. Talvez por isso não sinta uma particular necessidade de festejar o dia de hoje. Também é verdade que estou fisicamente longe dos que me são mais próximos o que não ajuda a grandes festas, mas logo à noite planeio dançar à fartazana com o Miu! (Poor cat)

Sinto-me feliz e serena. Vivo hoje aquilo porque ansiava quando iniciei este blogue. (Cliquem aqui para relerem)

“Ela nunca terá idade para ter juízo!
Graças a Deus.”

Escreveu a Mãe Sisa num comentário a um post, no mês passado, e acho que é realmente isso o que melhor me define! Pouco me importa que me chamem ruidosa, palhaça, adolescente e por aí em diante (podem reler aqui o rol de adjectivos com os quais me classificaram). Se é sinónimo de alegria e loucura, SIM sou EU!

Eu quero ser cremada, por isso não poderão mandar escrever a citação da Mãe Sisa na pedra tumular, mas podem dizê-lo na missa do funeral. Aproveito para relembrar que vos quero ver a todos lá na igreja. Não se atrevam a não aparecer! Aaaaaaaaaah e já agora podem rir-se alto e relembrar algumas das minhas loucuras! Já bem basta estar apertada dentro de uma caixa, ao menos quero ouvir gargalhadas (sabem como mesmo sendo Piquenina odeio espaços pequenos). Como música de fundo ponham a tocar, entre outras músicas, esta que me acompanha há uns bons 16 anos e POR FAVOR pulem e dancem quando a música o pedir. Espero que quando morrer isto possa ter sido uma descrição da minha vida:

“I wanna run, I want to hide
I wanna tear down the walls
That hold me inside.
I wanna reach out
And touch the flame
Where the streets have no name.


I wanna feel sunlight on my face.
I see the dust-cloud
Disappear without a trace.
I wanna take shelter
From the poison rain
Where the streets have no name
Where the streets have no name
Where the streets have no name. (…)”


Eu pelo menos vou-me esforçar para que assim seja.

E que tenha conseguido, até ao ultimo momento, fazer tal e qual diz aqui:

"I'm singing in the rain
Just singin' in the rain
What a glorious feeling
I'm happy again
I'm laughing at clouds
So dark up above
The sun's in my heart
And I'm ready for love
Let the stormy clouds chase
Everyone from the place
Come on with the rain
I have a smile on my face
I walk down the lane
With a happy refrain
Just Singin', singin' in the rain
Dancing in the rain
I'm happy again
I'm singin' and dancin' in the rain
I'm dancin' and singin' in the rain"

E que este tenha sido o mote, por trás de tudo:

"Amanhã, espero sempre um amanhã
e acredito que será
mais um prazer

e a vida é sempre uma curiosidade
que me desperta com a idade
interessa-me o que está para vir
a vida em mim é sempre uma certeza
que nasce da minha riqueza
do meu prazer em descobrir"

Espero também, nessa altura, ter conseguido realizar pelo menos alguns dos pontos da Bucket List que iniciei num post antigo:

1. Aprender italiano
2. Passar uma semana no deserto
3. Viajar pela América do Sul
4. Ir a Bora Bora
5. Pilotar uma avioneta
6. Ver um concerto dos U2 ao vivo e a cores
7. Voar
8. Nadar com golfinhos
9. Aprender a dançar tango (comme il faut)
10. Ir ao Etna

Até lá vou vivendo bem pertinho de vocês ausentando-me apenas momentaneamente para vir aqui ao Meu Planeta!
Parabéns a mim!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

11 de Dezembro: "Gesù Bambino"

A música de hoje é dedicada à Piquenina que faz anos e ainda vai aprender italiano!!!!

Gesù Bambino é interpretada pelo Luciano Pavarotti com a The National Philharmonic Orchestra.
Hoje o "chocolate" é todo para ti, Piquenina! :-) Espero que gostes!

Raio de Sol

O que me emociona (4)




O amor, cuidado, respeito e bem querer que une o meu avô e a minha avó.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

10 de Dezembro: "Song of the Shepards"

Hoje Song of the Shepards - uma canção tradicional da Ucrânia interpretada pelo Moscow Chamber Choral Theatre.

Para aquecer os vossos corações... :-)
Raio de Sol
PS: A partir de hoje e até ao dia 21 de Dezembro estou do outro lado do Atlântico e por isso deixarei aqui a música de cada dia antes de me deitar (o que acontece quando a vossa madrugada já vai longa) e assim, sempre que acordarem terão uma nova música para desejar "Bom dia".

A mais bela história de Amor

Nada como viajar e ter, de facto, um livro na mala de viagem para "ressuscitar" esta rúbrica.

Hoje fiz uma viagem de quase 8 horas e li, quase ininterruptamente, metade do "Memorial do Convento". Terminei o livro e confirmei: é a mais bonita história de Amor que eu já li!
Apesar de ler muito, e há muitos anos, só recentemente (este Verão) acrescentei Saramago à minha lista de autores lidos. Tentativas tinham sido algumas mas todas infrutíferas (provavelmente não terei começado da melhor forma... A Jangada de Pedra não é fácil) e nas férias passadas "As Intermitências da Morte" foram o primeiro livro que consegui ler do princípio ao fim. Gostei.
Então, por conselho de um amigo, li o "Memorial do Convento". Esse amigo costuma dizer "existem os livros do Saramago; e existe o Memorial do Convento!!! Uma classe à parte; uma obra como só se escreve uma vez na vida".
Se assim é, ou não, não sei, mas este livro é maravilhoso. Diz-se que o tema central é o da construção do Convento de Mafra. Pois é verdade que essa história é contada, mas também o é a história de Baltasar Sete-Sóis e Blimunda Sete-Luas e do seu amor num tempo pleno de misérias e de prepotências - de reis, fidalgos e clérigos através da mão poderosa do Santo Ofício. Um tempo de pobreza mas também de sonhos, como o do Padre Bartolomeu e da sua máquina voadora... E mais não digo. Têm que ler. Vale bem um ou outro momento de dolorosas descrições e frases sem fim com que o Saramago ainda nos tenta enganar.
Raio de Sol

O que me emociona (3)



Um passeio na praia, no final da tarde. Eu, o mar, pés descalços na areia e as gaivotas.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

9 de Dezembro: "The Carol of the Drum"

Hoje um coral Islandês (Ice) interpreta uma canção popular de Natal - "Carol of the drum".
Ao iniciar a segunda semana deste calendário musical do Advento, renovo o meu desejo sincero de que estes mimos diários de música contribuam para um Natal diferente e muito, muito Feliz!
Beijinhos (... de partida para terras do tio Sam),
Raio de Sol

8 de Dezembro: "The first Noel"

Um clássico de Natal - The first Noel - na voz de Joan Baez.

A imagem é uma das minhas favoritas e foi o meu postal de Natal há uns anos atrás.
É assim que eu imagino esse Natal primordial, a pobreza e rudeza do lugar, o abandono e o cansaço, duas pessoas que amando-se se vêem sós no mundo, rejeitados pelos seus, incapazes de encontrar um lugar digno para pernoitar.
Quantos e quantos não vivem assim o seu Natal?...
Raio de Sol

O que me emociona (2)

Muitas músicas deste senhor (Rodrigo Leão), mas em especial este CD (Cinema).


Vi um concerto de apresentação deste trabalho e soltei não só uma mas várias lágrimas.

Lágrimas de rendição a algo realmente belo.

domingo, 7 de dezembro de 2008

7 de Dezembro: "Campana sobre Campana"

Hoje voltamos às canções tradicionais de diferentes países. De Espanha, mais concretamente da Andaluzia, chega-nos este tema Campana sobre campana que fala dos sinos que anunciam o nascimento do Menino e chamam os pastores a visitá-Lo e levar-lhe prendas. Cantam os VocalEssence uma versão em inglês, com um bocadinho do refrão no original.

Raio de Sol
PS: esta semana começo a juntar extras a cada dia com as vossas sugestões. Sempre que quiserem partilhem outras! Boa semana!

O que me emociona


A propósito desta insónia, que hoje me visitou, vou-me lembrando de algumas coisas dispersas sem qualquer noção de causa-efeito (ou quiçá eu não a detecto, mas Freud certamente tem alguma explicação).
Vou-me lembrando de momentos saborosos, de gente deliciosa, de músicas arrepiantes e lembrei-me também de um dos lugares que me emocionou. Chama-se Palau de la Música Catalana. Quando o visitei e tive o prazer de disfrutar esta sala confesso que soltei uma lágrima. A beleza da sala e a força do silêncio que se fazia sentir emocionou-me. Porque me lembrei disto agora? Não sei. Perguntem ao Freud ;)

Gira-Discos vs Mp3 - 26

Duas canções, do mesmo autor, separadas por duas décadas.


À semelhança da imagem do Ney, que vi quando era criança, também a imagem deste senhor me ficou gravada na retina. Vi-o uma vez, também em menina, a filmar um videoclip perto do Palácio de Queluz.

Duas canções que, neste momento, expressam um pouco do tanto que me vai cá dentro.
Espero que gostem tanto quanto eu!

Bom Domingo e Bom Feriado!

sábado, 6 de dezembro de 2008

Poemas que vivem na Casota da Piquenina (16)

Hoje um poema de Ary dos Santos.


Meu amor meu amor
meu corpo em movimento
minha voz à procura
do seu próprio lamento.



Meu limão de amargura meu punhal a escrever
nós parámos o tempo não sabemos morrer
e nascemos nascemos
do nosso entristecer.



Meu amor meu amor
meu nó e sofrimento
minha mó de ternura
minha nau de tormento


este mar não tem cura este céu não tem ar
nós parámos o vento não sabemos nadar
e morremos morremos
devagar devagar.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

6 de Dezembro: "Grown-up Christmas List"

Os pedidos/desejos dos crescidos, na voz quente e sensual do Michael Bublé - Grown-up Christmas List. Esta é boa para ouvir à lareira, não vos parece? :-) Bom fim-de-semana!

Raio de Sol

Imprópria para consumo vs Madrinha babada

Hoje reparei que o meu prazo de validade expirou, estou imprópria para consumo.

Há dias assim. Uma "pescocite", algumas notícias não muito boas, cansaço e um dia chuvomelancólico não são bons companheiros nesta situação, por isso tento não dar a tudo isto uma importância excessiva e esperar calmamente por um dia melhor.


Apesar de tudo isto há uma coisa que hoje me aquece a pedra preta e fria que tenho no lugar do coração: a minha afilhada faz 12 anos!


Sou uma madrinha babadíssima, e não que eu tenha contribuido positivamente para o que quer que seja no crescimento dela (ou do meu Cucu). A minha afilhada é uma miúda com imensas qualidades, das quais destaco duas: é meiga (agora um bocadinho mais arredia porque isto da adolescência não deixa grande margem de manobra para beijinhos à madrinha velhota) e cuidadosa. É atenta aos outros, especialmente aos bichos e às crianças! Haviam de a ver com o meu Cucu! O Miu, esse deixou-se dormir no colo dela, como se estivesse no colo da dona.


Às vezes ela duvida das suas capacidades o que é normal e saúdavel, no sentido em que se põe em causa, mas que muitas vezes também a impede de arriscar e avançar. Eu cá não tenho dúvidas de que é uma miúda especial, bonita e inteligente.
Hoje pensei em dar-lhe um presente que eu acho que ela vai gostar! Estou "aos saltinhos" a tentar imaginar a reacção dela!


Aaaaaaaaaaaaah e tenho a certeza que o abraço dela me devolveria um novo prazo de validade.


Kika MUITOS PARABÉNS!

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

5 de Dezembro: "Rudolph The Red-Nosed Reindeer" & "Frosty the Snowman"

Hoje há 2 "chocolates" em vez de 1!!!
Escolhi duas canções do agrado especial das crianças:
1) Rudolph The Red-Nosed Reindeer (em versão com um cheirinho a jazz, pela fabulosa Ella Fitzgerald) - as aventuras da rena mais famosa do mundo que, com o seu nariz luminoso, conduz o trenó do Pai Natal e
2) Frosty the Snowman - a lenda de bonequinho de neve que ganhou vida para bricar com as crianças, rir e dançar...
Que bom que é sonhar com renas de nariz vermelho e bonecos de neve com vida!
Raio de Sol

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

4 de Dezembro: "Mary did you know?"

Hoje voltamo-nos para a mulher no centro do Natal - Maria - dedicando a canção de hoje a todas as Mães!

Mary did you know faz-me pensar nessa longa espera de todas as mães que carregam um filho no ventre durante 9 meses. De que interrogações, desejos e sonhos são feitos esses dias?...
Mary, did you know
That your baby boy will one day walk on water?
Did you know
That your baby boy will save our sons and daughters?
Did you know
That your baby boy has come to make you new?
This child that you’ve delivered
Will soon deliver you

Mary, did you know
That your baby boy will give sight to a blind man?
Did you know
That your baby boy will calm a storm with his hand?
Did you know
That your baby boy has walked where angels trod?
And when you kiss your little boy
You’ve kissed the face of god

Mary, did you know?
The blind will see
The deaf will hear
And the dead will live again
The lame will leap
The dumb will speak
The praises of the lamb

Mary, did you know
That your baby boy is lord of all creation?
Did you know
That your baby boy will one day rules the nations?
Did you know
That your baby boy is heavens perfect lamb?
This sleeping child you’re holding
Is the great I am

Raio de Sol

3 de Dezembro - "Nutcracker - Waltz of the Flowers"

Hoje... dançamos!

O Quebra-Nozes é um dos típicos bailados de Natal. A história de um sonho de uma menina que, como presente de Natal, recebe um soldadinho de madeira - o Quebra-Nozes - e que adormecendo, vive uma aventura em que todos os brinquedos ganham vida. A música é belíssima!
Já vi ao vivo e recomendo. É encantador, para graúdos e miúdos também. Escolhi uma das passagens mais conhecidas - a Valsa das Flores. Digam lá que não dá vontade de dançar?... :-)
Raio de Sol
PS1: Sim, é um bocadinho grande este ficheiro, mas se tiverem paciência penso que não vão sentir-se desapontados...
PS2: Para ouvir a música vai ao link no nome da música e, na nova página que se abre automaticamente, escolhe a opção "Download". Depois guarda para o teu disco (se quiseres) ou faz "Open" e ouve directamente, sem teres que descarregar o ficheiro.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Fim-de-semana

Gosto dos fins-de-semana, especialmente quando a população aqui na "Casota da Piquenina" triplica!
Foi o que aconteceu este fim-de-semana em que a determinada altura parecia o fim-do-mundo em cuecas, literalmente!

Gosto de receber quem é parte de mim, quem amo e me ama também. Cresci com eles, e a algumas vi-as nascer. Ainda me lembro do tempo em que eramos só três! Somos compadres, porque sou madrinha da filha mais velha deles, mas também sou afilhada, porque a S é minha madrinha de Crisma (e o N meu padrinho por paixão). Eu e ela já passámos muita coisa juntas e tem sido bom! Não somente pelas experiências, mas porque sabemos que vamos estar sempre uma ao lado da outra, ou uma a carregar a outra.

Quem connosco partilhou uma das refeições acabou por me confidenciar "sente-se no ar como se fosse palpável o muito que eles gostam de ti"! Acho que quando isto fica claro, assim como a água de uma nascente, para quem está "de fora" nada mais há a acrescentar.

Neste fim-de-semana eu e a S partilhámos silêncio, passeios, conversas, ela cozinhou para mim e eu cantei para ela. Declarámo-nos mais uma vez, uma à outra, e jurámos o nosso amor eterno. Aproveitámos sobretudo para estar perto e foi BOM. Dançámos à chuva e ao frio, sem pisar os riscos do chão, ao som da música de Natal, no meio da rua. Somos assim, eu e ela, duas meninas, loucas, que gostam muito uma da outra!

2 de Dezembro: "El Desembre Congelat"

Fiquei tão animada com as vossas reacções que não espero pelo fim do dia para "abrir a portinha" do dia de hoje...

Hoje vamos até à Catalunha com uma canção popular - El Desembre Congelat: no Dezembro gelado há um sol que brilha, flores que florescem e uma doce fragrância no ar; o céu está repleto de Amor.
Interpreta o coral VocalEssence.

Espero que vos aqueça neste Dezembro mesmo mesmo congelado... Beijinhos.
Raio de Sol

PS: Para ouvir a música vai ao link no nome da música e, na nova página que se abre automaticamente, escolhe a opção "Download". Depois guarda para o teu disco (se quiseres) ou faz "Open" e ouve directamente, sem teres que descarregar o ficheiro.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

1 de Dezembro: "Carol of the Bells"

Chegou Dezembro e com ele o Calendário Musical do Advento!

Para a estreia escolhi uma cancão tradicional de Natal - Carol of the Bells - em que a sonoridade dos sinos nos lembra a alegria deste tempo. Para mim é também uma doce recordação de um concerto coral de Natal, em Minneapolis, em Dezembro de 2007. Uma das minhas favoritas, sem dúvida! Esta versão é interpretada pelo coral Musica Sacra.
Hark! How the bells
Sweet silver bells
All seem to say,
"Throw cares away."
Christmas is here
bringing good cheer
To young and old
Meek and the bold

Ding, dong, ding, dong
That is their song
With joyful ring
All carolling
One seems to hear
Words of good cheer
From ev'rywhere
Filling the air

Oh how they pound,
Raising the sound,
O'er hill and dale,
Telling their tale,
Gaily they ring
While people sing
Songs of good cheer
Christmas is here
Merry, merry, merry, merry Christmas
Merry, merry, merry, merry Christmas

On, on they send
On without end
Their joyful tone
To ev'ry home
(repeat from the beginning)
Ding, dong, ding, dong.
PS: Para ouvir a música vai ao link no nome da música e, na nova página que se abre automaticamente, escolhe a opção "Download". Depois guarda para o teu disco (se quiseres) ou faz "Open" e ouve directamente, sem teres que descarregar o ficheiro.

domingo, 30 de novembro de 2008

Gira-Discos vs Mp3 - 25

Disse aquilo que quis, num e-mail, e ouvi coisas de que já não me recordava nos e-mails de resposta.
"Agrediram-me" musicalmente e foi BESTIAL!
O Luís, por exemplo, enviou tantas, tantas, tantas sugestões e sugeriu-me colocá-las em local à minha escolha. Assim, vou acatar a sugestão e durante esta semana vou enfiá-las em vários locais :)

E, posto isto, ele é novamente o vencedor. Desta vez o único vencedor!
No entanto eu, que também quis meter o "bedelho", misturei as parelhas. Sorry!

Espero que gostem tanto como eu!
E Luís, antes do prazo que me sugeriste, vou pedir mais coisas :) (sou muita CHATA)

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Aos meus avós

Resisti muito a escrever este post, apesar de morrer de vontade de o fazer. Entre muitas razões porque sabia que começaria e acabaria da mesma maneira, lavada em lágrimas, a fungar e rodeada de um monte de lenços descartáveis.

Só de pensar em começar a escrevê-lo me deixava com os olhos húmidos, mas decidi que "não era homem, não era nada" se não ganhasse coragem e deixasse as palavras escorregarem do coração para os dedos.

O título não deixa dúvidas, vou falar-vos dos meus avós. Os meus avós são as criaturas que mais amo e, na verdade, acho que dito isto não precisaria de dizer mais nada. Por eles tenho um amor incondicional, tal qual fala o São Paulo na Carta aos Coríntios, e sinto-me amada do mesmo modo. (Quer-me parecer que serão as únicas pessoas com quem partilharei este tipo de amor).

Nunca vivi permanentemente com eles, a não ser nos longos meses de férias de Verão e na altura da Páscoa e do Natal. Eles vivem em Trás-os-Montes e eu sempre vivi afastada deles umas quantas centenas de quilómetros. No entanto isso não impediu que se criasse este laço, muito devido à Sabedoria da minha avó.

A minha avó, agora com a singela idade de 82 anos, é Sábia. Alguns dizem que sou parecida com ela, no feitio, mas eu digo-vos que não é verdade. Seria afortunada, eu, se tivesse uma infinitésima parte da Sabedoria, Classe e Elegância desta minha avó. Não, não sou nada como ela.

A minha avó é a mais velha de três irmãos e, nascida numa aldeia e filha de gente sem possibilidades monetárias, cedo começou a trabalhar para ajudar a criar os irmãos. Assim ela foi criada (e também criada de servir) para ajudar. Na verdade é isso que ela faz até hoje, anda sempre a ajudar alguém. Ainda nova foi para Lisboa e serviu em várias casas. Durante esse tempo namorou com o meu avô (que também filho de gente de parcas posses) estava na marinha. Desse tempo guardam poucas fotografias (que isso era um luxo) mas em que pareciam duas estrelas de cinema (O meu avô meteria qualquer Brad Pitt, George Clooney ou qualquer outro denominado Sex Symbol actual num chinelo) e histórias deliciosas que a minha avô ainda hoje conta e que eu não me canso de ouvir. (A minha avó é uma excelente contadora de histórias, é uma delícia ouvi-la horas a fio, mesmo já conhecendo o final de todas as histórias) Na última casa onde serviu, o patrão propôs-lhe comprar um "carro de praça" para o meu avô conduzir e assim ficariam os dois a trabalhar para os mesmos patrões. A minha avó nunca chegou a falar desta proposta ao meu avô, achava que ele ainda podia matar alguém com o "carro de praça".
O meu avô, por outro lado, disse-lhe que casariam e voltariam para Lisboa. Nunca aconteceu e para sempre ficaram em Trás-os-Montes, terra que os viu nascer.

A minha avó, três anos mais velha, e o meu avô casaram-se tinha ela 27 anos (não propriamente nova para a época) e já lá vão 55 anos deste casamento.

O meu avô quis emigrar, mas precisava na altura que a minha avó lhe assinasse os papéis, ela nunca o permitiu. Diz ela -ainda hoje- "só tinha medo que o vento mo levasse".

Fizeram muitas coisas ao longo da vida, maioritariamente impulsionadas pela minha avó, foram vendedores ambulantes, tiveram um café (a minha avó queria um talho, mas o meu avô gostava de ter um café)...

Em trinta anos da minha existência são raras as memórias de discussões entre os dois a que eu tenha assistido (o que não quer dizer que não as houvesse), e mesmo nessas nunca me lembro que existissem faltas de respeito. O meu avô canta fado para a minha avó e, também nessas alturas, olha-a como se tivesse acabado de se apaixonar por ela.

Ele, devido a um problema de saúde, há quatro anos ficou numa cama, quase sem falar e sem se mexer. Hoje anda só com a ajuda de uma bengala, continua a trabalhar numa horta e tem uma "carpintaria" onde se entretem. Muito disso o deve à minha avó, que o fez levantar da cama, que lhe enxugou as lágrimas, que dançava para que ele não se deixasse abater. Pouco depois de ele se ter recuperado, foi ela que adoeceu. Chegou a pesar 30 e poucos quilos (antes pesava quase 70Kg), mas está cá para contar a história. Foi buscar forças lá ao "planeta dela". Todos os dias ela se levanta cedo e vai tomar o pequeno almoço ao café da praça. Obviamente leva o pão de casa, para que lhe façam a torrada no café, porque o pão do café não é "lá muito bom". Quando "ralhamos" com ela porque não devia comer isto ou aquilo, porque dá muita comida ao cão, porque não devia trepar aos armários, ela NUNCA discute connosco, diz sempre: "tens razão!" e depois, faz sempre como ela quer. Ambos têm um coração GENEROSO, estão sempre a oferecer alguma coisa a alguém...

Quando eu era miúda a minha avó ia-nos visitar de surpresa! De vez em quando lá aparecia ela, com mil sacos e caixotes, à porta de nossa casa. Hoje sou eu que faço isso, de vez em quando lá lhe apareço à porta, à 1h sem ela estar à espera! (Eu também ando sempre com um monte de bagulhos...)

Quando há uns anos tive que escrever um manuscrito, os meus agradecimentos terminavam assim:

"Um agradecimento muito especial aos meus avós (Aida e José) porque sempre foram, são e serão, um colo bom onde repousar e um exemplo de vida e dignidade que gostaria de ser capaz de transpor para a minha própria vida."

E, ao fim e ao cabo, é isso.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Poemas que vivem na Casota da Piquenina (15)

Aqueles que me conhecem sabem que a luxúria toma conta de mim, no sentido em que quando gosto muito de alguma coisa fico obcessivamente a usufruir dela. A poesia de Elio Pecora é a mais recente e por isso não resisto de, em catadupa, vos deixar com mais um poema!


e se o medo fosse desejo
desmedido de te ver, de ficar
só contigo junto de um mar escuro
a vida inteira ...
se o remo que percute fosse o bem
que me foi dado e fosse o sinal, o grito
que abafei, a hora que perdi leve
dentro de um tempo que o tempo cancelou ...
se eu não fosse a voz que te chama
e te acompanha dentro de dias iguais,
... por quais caminhos ainda procuraria
os teus passos prudentes, o teu chamamento ...
se só por medo eu berrasse: "Amo-te!" ...

Poemas que vivem na Casota da Piquenina (14)

Ontem conheci a poesia (de) e o poeta Elio Pecora, literalmente. A poesia porque adquiri o livro, o poeta porque me foi apresentado.

Deixo-vos assim com a mais recente aquisição de poemas que vivem na Casota. (A Quasi lançou, pela primeira vez, uma série de poemas escolhidos deste poeta, traduzidos em português) Eu estou rendida e vocês, deixam-se render?

Sonhaste com o teu gato a afogar-se.
É manhã nas montanhas, no quarto
filtra-se um fresco Sol, perguntas-me:
(hesitas primeiro, olhas as tuas mãos
leves, finas como folha ou vidro,
espero um pouco ansioso, sorrio-te)
"Agora, promete-me seres eterno".
A tua voz exige resposta.


Eu digo: "Eterno é isto que vivemos.",
digo que te agridem fantasmas
desvairados no meio da alegria.
Mas nas minhas palavras está o morrer
que nos toca, a brevidade do tempo
que nos foi dado em obscura medida,
está a paixão que não sabe durar
para lá do flébil bater do coração;
está a derrota e, mesmo nesta, o bem
de ficarmos no Sol da manhã,
de atravessarmos estreitamente juntos
a hora da estação e o destino.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Ensaio sobre a cegueira

Não li o livro e por isso estou muito à vontade para falar sobre o filme. Um filme que está longe de ser consensual. Os cegos americanos odiaram, os intelectuais e conhecedores dividem-se. Uns gostam outros acham fraquinho. Eu, gostei muito.


A Cidade de Deus e O Fiel Jardineiro, os outros dois filmes de Fernando Meirelles, fazem antever, para quem ainda não viu, o jeito como ele filmou Blindness. O filme, para quem como eu não leu o livro, faz com que se adivinhe um livro ainda mais "duro", mais cruel, mais forte. Meirelles tem o dom de traduzir ideias em imagens e encontrar soluções visuais que resultam na perfeição. Os jogos de reflexos que usou e sobretudo os banhos de luz branca, transportam qualquer um para aquela cegueira.
Se não viram vão ver, antes que fiquem cegos.

Os gajos do nosso tempo (2)!


Já me manifestei, aqui, como entusiasta d'Os Contemporâneos (em especial esta segunda série) e não resisto voltar a fazê-lo!
Não percam o melhor que se anda a fazer na comédia portuguesa! Pleeeeeeease!
Cliquem aqui!

domingo, 23 de novembro de 2008

Gira-Discos vs Mp3 - 24

Domingo=actualização.


Esta semana, nesta rubrica, dois temas do 007:

- no Gira-Discos "The Living Daylights" dos A-HA
- no Mp3 Alicia Keys e Jack White com "Another Way to Die" (Bestial!)

Boa semana!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

o que dizem do 8 que sou eu

piquenina. mau feitio. marada. ruidosa. louca. impaciente. bronca. agressiva. despenteada.

Assertiva. Exagerada. Provocadora. Elevado sentido de justiça. Excelente bom humor. incorrigível. teimosa. esgrouviada. vivaz. poderosa. amiga. A MELHOR MADRINHA DO MUNDO. palhaça. A Melhor Afilhada. espontânea. simpática. divertida. maluca. galhofeira. quinada. determinada. equilibrada. dançarina em mute mode. ressonadeiraaaaaaaaaaaa. com um gato na cabeça.
PS As omissões podem sempre ser acrescentadas através dos vossos comentários.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

E se Obama fosse Africano?

Nasci em Moçambique e tenho, por Africa, um carinho muito especial e o sonho de um dia lá voltar, quem sabe para ficar... Raio de Sol

por Mia Couto
Os africanos rejubilaram com a vitória de Obama. Eu fui um deles. Depois de uma noite em claro, na irrealidade da penumbra da madrugada, as lágrimas corriam-me quando ele pronunciou o discurso de vencedor. Nesse momento, eu era também um vencedor. A mesma felicidade me atravessara quando Nelson Mandela foi libertado e o novo estadista sul-africano consolidava um caminho de dignificação de África.
Na noite de 5 de Novembro, o novo presidente norte-americano não era apenas um homem que falava. Era a sufocada voz da esperança que se reerguia, liberta, dentro de nós. Meu coração tinha votado, mesmo sem permissão: habituado a pedir pouco, eu festejava uma vitória sem dimensões. Ao sair à rua, a minha cidade se havia deslocado para Chicago, negros e brancos respirando comungando de uma mesma surpresa feliz. Porque a vitória de Obama não foi a de uma raça sobre outra: sem a participação massiva dos americanos de todas as raças (incluindo a da maioria branca) os Estados Unidos da América não nos entregariam motivo para festejarmos.
Nos dias seguintes, fui colhendo as reacções eufóricas dos mais diversos recantos do nosso continente. Pessoas anónimas, cidadãos comuns querem testemunhar a sua felicidade. Ao mesmo tempo fui tomando nota, com algumas reservas, das mensagens solidárias de dirigentes africanos. Quase todos chamavam Obama de "nosso irmão". E pensei: estarão todos esses dirigentes sendo sinceros? Será Barack Obama familiar de tanta gente politicamente tão diversa? Tenho dúvidas. Na pressa de ver preconceitos somente nos outros, não somos capazes de ver os nossos próprios racismos e xenofobias. Na pressa de condenar o Ocidente, esquecemo-nos de aceitar as lições que nos chegam desse outro lado do mundo.
Foi então que me chegou às mãos um texto de um escritor camaronês, Patrice Nganang, intitulado: "E se Obama fosse camaronês?". As questões que o meu colega dos Camarões levantava sugeriram-me perguntas diversas, formuladas agora em redor da seguinte hipótese: e se Obama fosse africano e concorresse à presidência num país africano? São estas perguntas que gostaria de explorar neste texto.

E se Obama fosse africano e candidato a uma presidência africana?
1. Se Obama fosse africano, um seu concorrente (um qualquer George Bush das Áfricas) inventaria mudanças na Constituição para prolongar o seu mandato para além do previsto. E o nosso Obama teria que esperar mais uns anos para voltar a candidatar-se. A espera poderia ser longa, se tomarmos em conta a permanência de um mesmo presidente no poder em África. Uns 41 anos no Gabão, 39 na Líbia, 28 no Zimbabwe, 28 na Guiné Equatorial, 28 em Angola, 27 no Egipto, 26 nos Camarões. E por aí fora, perfazendo uma quinzena de presidentes que governam há mais de 20 anos consecutivos no continente. Mugabe terá 90 anos quando terminar o mandato para o qual se impôs acima do veredicto popular.
2. Se Obama fosse africano, o mais provável era que, sendo um candidato do partido da oposição, não teria espaço para fazer campanha. Far-Ihe-iam como, por exemplo, no Zimbabwe ou nos Camarões: seria agredido fisicamente, seria preso consecutivamente, ser-Ihe-ia retirado o passaporte. Os Bushs de África não toleram opositores, não toleram a democracia.
3. Se Obama fosse africano, não seria sequer elegível em grande parte dos países porque as elites no poder inventaram leis restritivas que fecham as portas da presidência a filhos de estrangeiros e a descendentes de imigrantes. O nacionalista zambiano Kenneth Kaunda está sendo questionado, no seu próprio país, como filho de malawianos. Convenientemente "descobriram" que o homem que conduziu a Zâmbia à independência e governou por mais de 25 anos era, afinal, filho de malawianos e durante todo esse tempo tinha governado 'ilegalmente". Preso por alegadas intenções golpistas, o nosso Kenneth Kaunda (que dá nome a uma das mais nobres avenidas de Maputo) será interdito de fazer política e assim, o regime vigente, se verá livre de um opositor.
4. Sejamos claros: Obama é negro nos Estados Unidos. Em África ele é mulato. Se Obama fosse africano, veria a sua raça atirada contra o seu próprio rosto. Não que a cor da pele fosse importante para os povos que esperam ver nos seus líderes competência e trabalho sério. Mas as elites predadoras fariam campanha contra alguém que designariam por um "não autêntico africano". O mesmo irmão negro que hoje é saudado como novo Presidente americano seria vilipendiado em casa como sendo representante dos "outros", dos de outra raça, de outra bandeira (ou de nenhuma bandeira?).
5. Se fosse africano, o nosso "irmão" teria que dar muita explicação aos moralistas de serviço quando pensasse em incluir no discurso de agradecimento o apoio que recebeu dos homossexuais. Pecado mortal para os advogados da chamada "pureza africana". Para estes moralistas – tantas vezes no poder, tantas vezes com poder - a homossexualidade é um inaceitável vício mortal que é exterior a África e aos africanos.
6. Se ganhasse as eleições, Obama teria provavelmente que sentar-se à mesa de negociações e partilhar o poder com o derrotado, num processo negocial degradante que mostra que, em certos países africanos, o perdedor pode negociar aquilo que parece sagrado - a vontade do povo expressa nos votos. Nesta altura, estaria Barack Obama sentado numa mesa com um qualquer Bush em infinitas rondas negociais com mediadores africanos que nos ensinam que nos devemos contentar com as migalhas dos processos eleitorais que não correm a favor dos ditadores.

Inconclusivas conclusões
Fique claro: existem excepções neste quadro generalista. Sabemos todos de que excepções estamos falando e nós mesmos moçambicanos, fomos capazes de construir uma dessas condições à parte.
Fique igualmente claro: todos estes entraves a um Obama africano não seriam impostos pelo povo, mas pelos donos do poder, por elites que fazem da governação fonte de enriquecimento sem escrúpulos.
A verdade é que Obama não é africano. A verdade é que os africanos - as pessoas simples e os trabalhadores anónimos - festejaram com toda a alma a vitória americana de Obama. Mas não creio que os ditadores e corruptos de África tenham o direito de se fazerem convidados para esta festa.
Porque a alegria que milhões de africanos experimentaram no dia 5 de Novembro nascia de eles investirem em Obama exactamente o oposto daquilo que conheciam da sua experiência com os seus próprios dirigentes. Por muito que nos custe admitir, apenas uma minoria de estados africanos conhecem ou conheceram dirigentes preocupados com o bem público.
No mesmo dia em que Obama confirmava a condição de vencedor, os noticiários internacionais abarrotavam de notícias terríveis sobre África. No mesmo dia da vitória da maioria norte-americana, África continuava sendo derrotada por guerras, má gestão, ambição desmesurada de políticos gananciosos. Depois de terem morto a democracia, esses políticos estão matando a própria política. Resta a guerra, em alguns casos. Outros, a desistência e o cinismo.
Só há um modo verdadeiro de celebrar Obama nos países africanos: é lutar para que mais bandeiras de esperança possam nascer aqui, no nosso continente. É lutar para que Obamas africanos possam também vencer. E nós, africanos de todas as etnias e raças, vencermos com esses Obamas e celebrarmos em nossa casa aquilo que agora festejamos em casa alheia.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Nunca mais é sábado... ou Dezembro!

Quem me conhece sabe que esperar não é o meu forte. Sou impaciente, quero que as coisas aconteçam logo... Quando planeio algo de que gosto quero que o momento de isso acontecer chegue logo. E neste momento eu queria que já fosse Dezembro! E porquê?... Para poder dar início a uma rúbrica nova deste berloque: o Calendário Musical do Advento! (Pronto Piquenina, já disse! Estava aqui mortinha por anunciar!)
Em vez daqueles calendários do advento carregadinhos de chocolate (quem é que quer chocolate? Iac!), vamos ter aqui uma música de Natal todos os dias: músicas de diferentes estilos, diferentes países do mundo e diferentes intérpretes. Em comum a alegria e a mensagem do Natal. Uma forma de partilharmos a chegada e a preparação de mais um Natal.
E, se esta rúbrica vos trouxer 10% do prazer que a mim me dá prepará-la, ficarei muito feliz!Entretanto, tenho que aprender a esperar... Ai que nunca mais é Dezembro!
Raio de Sol

domingo, 16 de novembro de 2008

Gira-Discos vs Mp3 - 23

Esta semana no Gira-Discos vs Mp3 uma escolha improvável, só porque sim.

No Gira-Discos a Aretha.

No Mp3, uma banda de Braga - a terra que me acolhe de momento, Peixe-Avião com uma sonoridade bem engraçada.

Poemas que vivem na Casota da Piquenina (13)

Na verdade é só a parte final de um poema do Blake!

" (...)
Every night and every morn
Some to misery are born,
Every morn and every night
Some are born to sweet delight.

Some are born to sweet delight,
Some are born to endless night.

We are led to believe a lie
When we see not thro' the eye,
Which was born in a night to perish in a night,
When the soul slept in beams of light.

God appears, and God is light,
To those poor souls who dwell in night;
But does a human form display
To those who dwell in realms of day."

Blake in Auguries of Innocence

"Ela nunca terá idade para ter juízo! Graças a Deus." Mãe Sisa dixit

Tal como vos dizia no post das "avestruzes guinchadoras", que intitulei de "The Winner Takes it All", às vezes as pessoas que nos conhecem bem percebem melhor como nós verdadeiramente somos.

A Mãe Sisa é um exemplo disso. Num comentário ao post anterior, e em resposta ao chega-meumnumeromaior escreveu: "Ela nunca terá idade para ter juízo! Graças a Deus."

E sabem, é VERDADE!

Quanto ao espectáculo do Tochas, recomendo vivamente! Aliás, não esperava outra coisa. Foi uma explosão de endorfinas! O resumo do espectáculo foi feito pelo próprio e basicamente reza assim: "eh pá, foi muito fixe men. contámos, dançámos e falou-se de fotografias de focas" LOL Para saberem mais, só indo ver!

Miu e restante fauna e flora que habita no Planeta: FORGET IT! A Mãe Sisa é que tem razão, nunca terei idade para ter juízo!

Post Scriptum: A Mãe Sisa vai adorar eu ter escrito que ela é que tem razão! AHAHAH

sábado, 15 de novembro de 2008

"já tenho idade para ter juízo"

Ofereci um bilhete, para o espectáculo com este título, à minha dona.

É que, efectivamente, ela já tem idade para ter juízo!

Espero que resulte porque, entre muitas coisas, já não aguento mais esta história de ela pegar em mim e desatar a dançar!

  © Blogger templates 'oplanetadapiquenina' by oplanetadapiquenina 2009

Back to TOP