terça-feira, 23 de setembro de 2008

When I ruled the world!

Hoje fiquei com esta música no ouvido, logo de manhã, e ninguém me calou o dia inteiro. (Algumas más línguas dizem que eu gosto dela porque que diz: I used to rule the world, mas eu digo-vos que é mentira!
O que gosto mesmo é dos versos que dizem:
I used to roll the dice
Feel the fear in my enemies eyes
)


Na altura em que chega ao Ooooh Ooooh saltava pelo corredor do departamento! Uma festa! Afinal sou uma Dancing Queen! Ah!Ah!Ah!

Aqui ficam letra e música!


I used to rule the world
Seas would rise when I gave the word
Now in the morning I sleep alone
Sweep the streets I used to own

I used to roll the dice
Feel the fear in my enemies eyes
Listen as the crowd would sing:
"Now the old king is dead! Long live the king!"

One minute I held the key
Next the walls were closed on me
And I discovered that my castles stand
Upon pillars of salt, and pillars of sand

I hear Jerusalem bells are ringing
Roman Cavalry choirs are singing
Be my mirror my sword and shield
My missionaries in a foreign field
For some reason I can not explain
Once you know there was never, never an honest word
That was when I ruled the world
(Ohhh)

It was the wicked and wild wind
Blew down the doors to let me in.
Shattered windows and the sound of drums
People could not believe what I'd become
Revolutionaries Wait
For my head on a silver plate
Just a puppet on a lonely string
Oh who would ever want to be king?

I hear Jerusalem bells are ringing
Roman Cavalry choirs are singing
Be my mirror my sword and shield
My missionaries in a foreign field
For some reason I can not explain
I know Saint Peter won't call my name
Never an honest word
And that was when I ruled the world
(Ohhhhh Ohhh Ohhh)

Hear Jerusalem bells are ringings
Roman Cavalry choirs are singing
Be my mirror my sword and shield
My missionaries in a foreign field
For some reason I can not explain
I know Saint Peter will call my name
Never an honest word
But that was when I ruled the world
Oooooh Oooooh Oooooh

Um negro (ou deverei dizer preto?) na casota!

Uso este meio para vos dizer que, desde sexta-feira passada, já não vivo sozinha.
Tem sido bom, mas deixei de reinar na casota. Ele chegou e mudou tudo, e nem parece meu ser tão permissiva...
Bom, primeiro mudou a decoração, depois alterou os horários, apoderou-se do sofá, implicou com a minha Ofélia, fez um alarido logo na noite que chegou e, na cama, é tudo dele!
É preto (ou deverei dizer negro?) - vi esta palestra (cliquem) sobre as diferenças entre o negro e o preto, mas nem assim fiquei esclarecida. Fiquei bem disposta, mas não esclarecida.

domingo, 21 de setembro de 2008

Gira-Discos vs Mp3 - 15

Voltámos ao ritual de actualização desta rubrica ao Domingo! Gosto de rituais, mas sobre isso falarei noutra altura. Falarei sobre isso e sobre este fim-de-semana em que deixei de viver sozinha.


De volta ao tema desta rubrica, esta semana pautei as minhas escolhas pelo mote "cantar em português".

No Gira-Discos uma das músicas que mais gosto deste senhor que brinca com as palavras.
No Mp3 o regresso de um grupo dos anos 80.

Bom resto de Domingo e boa semana!

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Poemas que vivem na Casota da Piquenina (2)

Pari uma rubrica, sem me dar conta.

Assim sendo, e uma vez que vou partilhando (cada vez com mais regularidade) poemas que vivem aqui na casota, decidi assumir a maternidade e baptizá-la (já sabem que não acredito no encerramento do limbo! ;)).
Chama-se, apartir de hoje, "Poemas que vivem na Casota da Piquenina".

Espero que gostem tanto como eu.


AUSÊNCIA

Num deserto sem água
Numa noite sem lua
Num país sem nome
Ou numa terra nua

Por maior que seja o desespero
Nenhuma ausência é mais funda do que a tua.

Sophia de Mello Breyner Andresen

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Presto? Presta e não é detergente!

A curta metragem que antecede o WALL E e que é de pôr os olhinhos a brilhar!




Cliquem aqui e deliciem-se!

domingo, 14 de setembro de 2008

LOL

O sentido de humor é uma das qualidades que mais admiro.
Hoje não pude deixar de soltar uma gargalhada ao esfolhear o jornal Público. Na página 14, e a propósito do furacão Ike, pode ver-se uma foto que mostra uma casa térrea com um homem sentado nas escadas e com uns taipais para proteger as janelas, onde num deles se lê: " Go away Ike Tina ain't here".
Ah! Ah! Ah!

sábado, 13 de setembro de 2008

Gira-Discos vs Mp3 - 14

Desta feita resolvi juntar 2 em 1 no Gira-Discos: uma música e um actor de quem GOSTO MUITO (e com quem me cruzei em NY :)). Kevin Spacey canta Beyond the Sea de Bobby Darin.


No Mp3 um género musical que até hoje ainda não tinha tido espaço, aqui no Planeta. Não sendo especialmente fã nem do género, nem do cantor acho esta música bestial! A letra é deliciosa.


Bom Domingo e boa semana!

Passagem do WALL E que me é dedicada

O WALL E é um filme delicioso! É um docinho depois de uma refeição de peixe cozido, uma chávena de chá quentinho numa tarde de inverno, uma água fresquinha e uma sombra num dia de calor...

Os autores pensaram em mim e escreveram uma passagem que me é dedicada, o personagem do Capitão diz então a determinada altura do filme (+/- isto):



" Sobrevives te a tudo, não foi pequenina?
Fizeste uma longa viagem.
O que tu precisas é de água e mimo.
Água e mimo."

Assumo: tenho os fios desligados!

Tenho uma sexta-feira a menos! Não bato com elas todas! Se me desse nas perninhas ficava sem andar, como me dá na cabeça fico assim!



Tudo expressões que se me podem aplicar. Basicamente sou insane! Quem me conhece sabe, os outros... descobrem rapidamente!


O último ano e meio contribuiu, em muito, para potenciar esta insanidade: um trabalho num local que é díficil de descrever, um romper de um relacionamento ao estilo descrito por Lobo Antunes - cliquem aqui para saber como é (onde nem sequer faltou aquele cliché do ah, és tão bonita e inteligente, tenho que me encontrar... Como diria um colega meu: "Ooooooooooh Bullshit!")... Enfim, como costumo dizer agora, entre problemas profissionais e emocionais, só me resta aguardar pelos de saúde para fazer o pleno! Nalguma coisa tenho que ganhar o primeiro prémio enão ficar com aquela sensação que apostei tudo na cor e no número errado da roleta!

Tento disfarçar esta insanidade, porque como se sabe isso só é útil no caso de querermos ser pirómanos, e porque o resto do mundo "plays by the rules".
Agora trabalho num sítio onde, até ver (porque tudo passou a ter um carácter muito provisório na minha vida), o ambiente é muito bom e as pessoas são muito "easy going". Ao fim de três meses, já toda a gente me conhece pelas sonoras gargalhadas, pelos ataques de riso que tenho e proporciono, pelo falar alto, porque quando me vou embora ao fim do dia (e porque há colegas a quem isso provoca arrepios - e não é no bom sentido) canto uma canção da "Música no Coração" (So long farewell, Auf Wiedersehen, Adieu...) ou então uma do José Cid (Adio, Adieu, Auf Wiedersehen, Goodbye)...

Ao fim de dois meses de lá estar, num momento em que procurava companhia para um café e todos estavam indisponíveis, alguém me disse: "Não tomo café mas vou contigo, é o mínimo que posso fazer por quem me faz rir todos os dias!". E assim sou a "palhaça de serviço"! Não o considero algo menor, ou uma mancha na reputação, para dizer a verdade gosto deste papel! Alguns dos meus amigos "mais crescidos" e as pessoas normais, diriam que isto é mau para a minha imagem, que deveria cultivar uma imagem mais séria, mais comedida, mais polida, mais de acordo com alguém que quer ter uma carreira... não digo que não tenham razão (têm e muita) mas tudo o que me ocorre é: ooooooooooooooooh Bullshit!

Esta semana adicionei às cantorias, uma coreografia! E porque sou, como muitos me apontam, exagerada e desde que fui ver o Mamma Mia os Abba acompanham-me, no fim da semana já éramos umas quatro pessoas a cantar e a dançar a "Dancing Queen"! A maioria fica só a assistir, com um olhar entre o "eu não acredito que estão a fazer isto" e o "até gostaria de alinhar".

Sou tão insane, que outro dia uma colega abordou outra dizendo-lhe "Já tive para perguntar à Piquenina o que é que ela toma... Estava a precisar de tomar algo que me pusesse assim!"

Felizmente e até ver (sim, porque hoje em dia estou sempre à espera de como é que tudo pode piorar de um momento para o outro) não preciso de cogumelos alucinógenos para ficar assim, digamos que é parte do meu "charme" natural (como o restaurador Olex). Ah! Ah! Ah!

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Na mesinha de cabeceira (3)


Fiz a minha primeira incursão na leitura em espanhol e digo-vos foi HILARIANTE!







Mas vou-vos contar tudo desde o início:

  • O livro aguardava-me em casa. (Foi um presente de uma das minhas amizades mais antigas -em tempo e também em idade- e com quem compartilho alegrias, tristezas, livros, filmes, músicas, mimos, tontarias, disparates, mas sobretudo um bem-querer muito grande. Se esta Piquenina é crescida em algumas coisas, a ela o deve... Com ela descobri (e continuo sempre a descobrir) muitas coisas. Já lá vão quase 17 anos, não é verdade Carmenzita????) Ele era o Mimo nº 4 de um conjunto de mimos, que me aguardavam na mesa na sala, e dos quais também fazia parte uns monstrinhos do Universo Tim Burtoniano e que agora estão na minha mesinha de cabeceira! É para ver se tornam os meus pesadelos mais divertidos e os meus sonhos mais negros e quem sabe se assim não poderei fazer parte do Nightmare Before Christmas??? (Um dia destes vou-vos mostrar um outro mimo que está numa moldura rosa-choque, para verem as tontarias que esta miúda descobre!!!)
  • Tocar este livro é bestial. É um livro aquático! Pode-se levar para a piscina, para a banheira, e sobretudo para uma ilha! Água não representa qualquer problema!
  • O título não podia estar mais apropriado à fase que me atravessa: "Psiquiatras, Psicólogos y otros enfermos".
O autor chama-se Rodrigo Muñoz Avia e a história incide também sobre um Rodrigo. É um homem de classe média, casado e com dois filhos, que trabalha numa empresa familiar e leva uma existência feliz e sem sobressaltos até que "descobre" uma alteração nervosa provocada pelos botões de um casaco do cunhado. O cunhado, que é psiquiatra, sugere-lhe a necessidade de um tratamento para se curar dessas perturbações e apartir de então a vida deste homem vai parar nas mãos de psiquiatras, psicólogos, curandeiros e "outros especialistas" em desmontar o seu sistema emocional e... (têm que ler para saber o que significam as reticências).
O livro abre com uma passagem deliciosa:

"Hola. Me llamo Rodrigo. Rodrigo Montalvo Letellier. Antes de ir al psiquiatra yo era una persona feliz. Ahora soy disléxico, obsesivo, depresivo y tengo diemo a la muerte, o sea, miedo. En el psiquiatra he aprendido que la palabra felicidad es una convención que carece de sentido. He aprendido que el hecho de volver a ser feliz algún día no sólo es imposible, sino completamente imposible. Ahora me pregunto más cosas de las que me gustaría: sobre la muerte y sobre la vida."

Para além da ironia, que atravessa todo o livro, o engenho com que Rodrigo usa a parafasia do protagonista para fazer uma sucessão de jogos de palavras resulta em algo delicioso! Uma das minhas passagens preferidas é o seu encontro (almoço) com um psiquiatra argentino! Com ele o nosso protagonista desperta para o medo da morte e que lhe permite chegar ao fim e dizer: "“sigo siendo parafásico, obsesivo y medianamente infeliz, aparte de tenerle un miedo atroz a la muerte”.
Se doperem não cerpam! Ah! Ah! Ah!

Gaivota


Gosto de ilhas!

Desde sempre... Não sei a razão, mas gosto.

Sinto-me sempre melhor nas ilhas e gosto dos seus "nativos" (pode ser impressão minha, mas têm um jeito de estar na vida diferente).


Em inglês o termo deriva de uma palavra que significa "Waterly Land"...

Se calhar é por isso que gosto das ilhas do poder de poder ver o mar, ou então porque sou como as gaivotas, gosto de chegar à beira-mar no final do dia para repousar.


Tive a sorte de já ter estado em algumas e vou-vos contar um segredo, cheguem-se aqui ao pé de mim, tenho um roteiro de viagem só de ilhas se um dia puder tirar o tempo e tiver o dinheiro para passar uns meses a viajar...


Assim, podia ser gaivota a qualquer hora do dia, abrir as asas e voar ou fechá-las e repousar!

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Klimt, Gustav

Sou ignorante em quase todas as àreas (e não é falsa modéstia, é mesmo verdade), sendo que a pintura é apenas uma delas. Não sei identificar muitos dos pintores, ou reconhecer-lhes a técnica, ou situá-los no tempo... Sei apenas do que gosto de ver, do que me consegue “falar”, e sei que a maioria das vezes me “passam ao lado” os vários significados da obra, das “mensagens escondidas”... Vou tentando aprender, mas nem sempre consigo, tenho tempo ou me dedico.

Isto tudo para vos dizer que dentro da “piquenina” aldeia de conhecimento sobre o assunto, há um pintor de quem gosto mesmo muito: Klimt, Gustav Klimt.


Se fosse taróloga só leria nas suas “Cartas Douradas de Tarot”;
Se fosse médica teria sempre em mente “A Medicina”;
Se fosse uma “Cobra de Água” só aceitaria ser pintada por ele;
Se tivesse dinheiro teria por cima da cabeceira da cama “O Beijo” para me sentir sempre abraçada e beijada;
Se tivesse poder, mandaria colocar à porta de entrada de todas as casas “A Àrvore da Vida”, à porta das igrejas “Vida e morte”, a todos os desiludidos daria “A Esperança”, e a cada mulher ofereceria “As Três Idades da Mulher”;
Se pudesse clonar quadros, ofereceria a cada um dos meus amigos “A Macieira”, porque afinal as àrvores não só dão fruto como morrem de pé...

E por aí em diante...

Infelizmente os meus olhos ainda só repousaram n’”As Virgens”, que se encontram num museu num local recôndido de Praga, mas digo-vos que só o esquecerei quando o fantasma do sr. Alemão me atacar...



sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Inconfidências!

Pensei, pensei, pensei e não resisti! Enviaram-me este e-mail (depois de eu ter feito forward de um e-mail a pedir que me descrevessem numa palavra) e não resisto a partilhá-lo convosco por várias razões:


1) Está estupendamente bem escrito;

2) Veio de alguém que muito admiro, que é de uma extraordinária beleza e de quem me orgulho de ser amiga;

3) Esse alguém tem feito mais por mim do que alguma vez eu serei capaz de retribuir ou "pagar";

4) Porque este e-mail é símbolo dos muitos "piquenos" gestos com que me têm presenteado ultimamente (e aos quais eu sei que não tenho retribuído, mas um dia destes eu volto e depois podem-me bater).

Por último, não sei se qualquer semelhança entre esta minha descrição e a realidade não será mera coincidência mas sei que aquele quentinho existe, que as palavras são sentidas e que o Xi-coração é grande.

A ti, que me enviaste o e-mail, espero que me perdoes a inconfidência. Aí vai então, aaaaaaah e no assunto do e-mail dizia: "300 e tal palavras- uma não chega".


"Não consigo (descrever-te) só numa palavra...

Pensei, pensei... e não encontrei uma só palavra que significasse ao mesmo tempo força e fragilidade... porque me parece que não existe uma palavra que signifique ao mesmo tempo algo e o seu contrário (digo eu!). Talvez os orientais tenham uma palavra assim...

No outro dia, fiquei fascinada com o significado da palavra TU em chinês: TU é uma pessoa que abriga o meu potencial; só serei eu,verdadeiramente, perante um outro, porque é nesse outro que me descubro, que descubro o meu potencial.

Gosto quando a linguagem é mais simbólica, quando não é só aquilo que dizemos, quase esvaziado de sentido...

Bom, mas o queria dizer era que não tendo encontrado uma palavra, encontrei uma ideia:

FIO DE TEIA DE ARANHA.

Tu dirias que és aparentemente forte, mas na realidade frágil. Eu digo que é o contrário. Neste momento da tua vida és aparentemente frágil, mas na realidade forte, como um fio de teia de aranha. Mesmo com todas as intempéries que te têm assolado e despedaçado. E sinal disso são todos os pequenos passos que tens dado, todos os pequenos assomos de lucidez, todas as pequenas coisas que teimas em fazer apesar de tudo, apesar da dor. Manter um Blog, ter um gato, comprar um carro, pedir ajuda (ainda que de forma muito subtil).

Talvez não sejas, neste momento, uma teia. Mas és um fio e, embora te sintas presa por um fio, eu acredito, confio, que esse fio não se quebrará, jamais. No que depender de mim, no que eu puder, estarei aqui como alguém que abriga uma grande teia rendilhada (porque é isso que podes ainda ser), alguém que se esforçará por não deixar quebrar o fio, por ajudar a transformá-lo, novamente e aos pouco numa pequena grande teia.

E porque eu também só sou eu porque te tenho, moras sempre aqui, no quentinho, e aí, no quentinho, és mesmo uma pequena grande teia rendilhada.

Xi coração"
Post Scriptum: A todos os que têm andado por aqui "de volta de mim", ainda que eu os enxote ou os ignore, obrigado.

Gira-Discos vs Mp3 - 13 (sem qualquer superstição)

Parece que foi ontem e já lá vão 13 semanas de Gira-Discos vs Mp3. É impressão minha ou apartir de certa altura parece que as leis do universo mudam e o tempo não passa à mesma velocidade?

Aqui no Planeta a única superstição é a eventualidade de poder morrer de estupidez natural, sem se ter consciência de tal, por isso o número 13 não assusta ninguém!

Mais uma vez não recorri à lista já compilada (e que já tem músicas para mais outras tantas semanas) e fiz duas novas opções. No Gira-Discos um género musical ainda não contemplado aqui no Planeta, mas que tem o dom de limpar a mente, arrepiar a pele e até criar lágrimas (génios são estas criaturas que são capazes de nos emocionar com um "conjunto de notas").
No Mp3 uma música de quem muito me agrada, acompanhada da cena de um filme que gosto de ver quando estou de "mal com a vida" (é bem disposto, não-pretencioso, tem um personagem decadente e tem um belo início). Também este senhor é capaz de arrepiar, limpar a mente e fazer correr lágrimas (aconteceu-me o ano passado quando o ouvi no Theatro Circo).

Espero que gostem tanto como eu!

Post Scriptum: Estarei ausente da net no Domingo, por isso antecipei este ritual!

As mãos (o mais recente poema que vive na casota)

Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema – e são de terra.
Com mãos se faz a guerra – e são a paz.

Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.

E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.

De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.

Manuel Alegre

Mamma Mia

Imaginem:

1) que junto os meus amigos;
2) que os levo para uma ilha e que decidimos brincar às teatrices;
3) que até aqueles que cantam (MESMO) muito mal, também têm direito a cantar (e são uns poucos que eu conheço e que se podiam candidatar);
4) que nos divertimos imenso, porque só o fazemos para nosso bel prazer!

O Mamma Mia é isto!

Nunca, até hoje, nada tão kitsch e tão "não-filme" me soube TÃO BEM!

Ainda ando para aqui a cantarolar o Dancing Queen. Se quiserem recordar cliquem aqui.


Post Scriptum: Só não poderia fazer um "Mamma Mia" com os meus amigos, porque (infelizmente, e desculpem rapazes) não há nenhum Pierce Brosnan no grupo!

Na mesinha de cabeceira (2)

Na realidade ainda ando à volta com vários livros, mas estas férias trouxeram-me um livro sobre a "doce" melancolia dos tempos que já não voltam mais. O Livro: "Reviver o Passado em Brideshead" da autoria de Evelyn Waugh.


Charles Ryder revive, em tempo de guerra, o período que antecede a II Guerra Mundial, altura em que conheceu na Universidade de Oxford Sebastian Flyte (e a sua família Marchmain).

Sebastian Flyte tem tanto de encantador, como de misterioso e excêntrico e a vida de Charles muda radicalmente com este encontro.

Charles apaixona se por Sebastian e deslumbra se com a sua família que tem tanto de "encantadora", requintada e formal, como de problemática e complexa nas relações, na fé e nos afectos. O modo como a decadência se instala e como os costumes podem ser castradores e/ou destrutivos são bestialmente abordados. (Eu confesso, tenho um fraquinho por personagens decadentes).

Et in Arcadia Ego

Post Scriptum: Obrigado ao Miguel pela sugestão!

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Gira-Discos vs Mp3 - Especial

Quero ir ver o "Mamma Mia", porque:
1) deve ser bem-disposto;
2) lembro-me das músicas tocarem lá em casa quando era miúda;
3) quero "lavar as vistas".

Assim decidi fazer uma edição do Gira-Discos vs Mp3 especial, dedicado aos ABBA!

"Here I go again"

E se, de repente, um desconhecido vos oferece uma revista?

E se, de repente, um desconhecido vos oferece uma revista?
É um gesto simpático.

E se, acompanhado da revista o desconhecido vos diz: "Está com um ar tão triste, pode ser que ajude..."?
É sensibilidade.

E se depois nos diz: "Há dias em que não nos apetece falar com ninguém", nos dá um sorriso e nos pergunta: "Vai ficar bem?"
É de nos deixar sem palavras.

Aconteceu hoje a caminho de casa.

domingo, 31 de agosto de 2008

HELP! CAT ALERT!

Preciso da vossa ajuda! Há muito tempo que tenho a vontade de ter um(a) gato(a).

Agora que estou sozinha essa vontade voltou e ainda com mais força! Até há uma associação aqui em Braga (Associação Bracarense Amigos do Animais - ABRA) que tem bichinhos para salvar/adoptar.


Aaaaaaaaah, mas estou indecisa. Não sei se o hei-de fazer ou não. São as férias, as despesas... mas é também a companhia e o mimo...



Help me! Vá lá, assim como se estivessemos a fazer uma sondagem: Sim ou Não?

sábado, 30 de agosto de 2008

Eu esperei...

Enviaram-me esta sugestão de livro: "Eu Espero".


Cliquem aqui e serão encaminhados para a página que o descreve e onde o podem folhear, ao som da música do Zeca Afonso.
Parece delicioso.

Eu já esperei (muito), agora não espero mais (nada)...

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Gira-Discos vs Mp3 - uma dúzia!

Mais uma vez procedi a alterações, quase à última hora, o que faz com que se vão acumulando Mp3's e LP's...


Desta vez decidi que os recentes cinquentões iam reinar aqui no Planeta.
Assim temos no Gira-Discos Michael Jackson e no Mp3 Madonna.

Dois ícones do mundo da pop, um que mantêm o estrelato e a capacidade de se reinventar e outro que, de tanto se "reinventar", caiu em pedaços.

Boa semana!


Post Scriptum: Tentei colocar o teledisco original do Billie Jean, mas o youtube não colaborou! Assim na barra lateral ficou uma versão Live! Se clicarem aqui podem rever o original.

Banho


Sabem como é que tomar banho de chuveiro pode ser um GRANDE passo para alguém?

Confiram aqui.

E se querem saber como começou esta "aventura" podem ler o primeiro de muitos posts em "A história deste Principezinho".

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Ouros, copas, espadas e paus

Perdi-me! Algures no caminho perdi-me de mim.
E, no entretanto, cansei-me.
Por isso não insisto em procurar, já procurei e já corri atrás muitas vezes, agora fico quieta, pode ser que se permanecer no mesmo sítio volte a descobrir o caminho para casa. Como quando perdemos um objecto, ou nos esquecemos do que íamos a fazer e quando refazemos o trajecto, de repente, voltamos a recordar ou a encontrar.

Não gosto de perder, nunca gostei. Em miúda, a jogar às cartas com a minha mãe, quando percebia que ia perder atirava as cartas todas ao ar para que não chegasse ao fim do jogo e não se constatasse a evidência da minha perda. Agora já não é assim, não posso deitar as cartas ao ar e efectivamente já constatei que perdi.

Se, por um acaso, me encontrarem por aí mandem-me de volta. Não sou lá muito bem mandada, mas nunca se sabe...

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

O Menino de Cabul (The Kite Runner)

(Piquenina, não combinámos periodicidade para a nossa rúbrica a duas mãos ("Na mala de viagem" e "Na mesinha de cabeceira") e, como eu até estou de viagem, e com mala... :-) voilá!)

Gosto de livros que deixam uma marca: que me dão a conhecer uma realidade que ignorava, que me questionam, que me emocionam e que, depois de lido, alteram a forma como vejo os outros ou o mundo. "O Menino de Cabul" ("The Kite Runner" no título original) é um desses livros.

O passado recente do Afeganistão chega até nós nas notícias dos conflitos, nos números dos mortos, feridos e deslocados de guerra e nas imagens de gente sofrida mas alimentando a esperança de uma vida melhor. E por trás de tudo isto, há as vidas das pessoas, os sonhos construídos e destruídos... As cidades que conhecemos das batalhas mais importantes adquirem outra vida quando acompanhamos Amir nas suas memórias.

Um livro belíssimo (que li no original, em inglês), já adaptado ao cinema (um filme que não vi) e que recomendo vivamente. Um livro para olhar o Afeganistão (e o mundo) de forma diferente.

Raio de Sol

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

"This is going to be: LEGEN -- wait for it -- DARY!"

Cada vez vejo menos TV, cada vez vou menos ao cinema (é impressão minha ou a crise daquilo a que se pode chamar um BOM filme instalou-se?), cada vez vejo mais séries e filmes em DVD. Poupa-se na publicidade, sabe-se a que horas se vai EFECTIVAMENTE ver o que se pretende e, além do mais, para alguns filmes é a única alternativa (uma vez que nem sequer chegam às nossas salas de cinema).

Uma das minhas mais recentes descobertas, porque lá na casota não há TV por cabo, (mas imagino que a maioria de vós já conhece) foi a série “How I met your mother”. Confesso que o que me prende a esta série é a personagem Barney Stinson (Neil Patrick Harris, o Doogie Howser de outros tempos). How I Met Your Mother é uma sitcom da CBS criada por Carter Bays e Craig Thomas. O título descreve exactamente o que se pretende. A série gira em torno da vida de Ted Mosby (e é narrada pelo o próprio, que 25 anos mais tarde está a contar aos seus filhos as histórias que o levaram a conhecer a mãe) e dos seus amigos Marshall Eriksen, Robin Scherbatsky, Lily Aldrin e Barney Stinson.

Se Marshall e a Lily, a Robin e o Ted, formam casais “típicos” e não acrescentam muito ao que já se viu a personagem de Barney Stinson é desconcertante! Barney é um yuppie (sempre de fato, por razões que são desvendadas num episódio da 1ª temporada) mas ninguém sabe exactamente o que ele faz (e sempre que lhe perguntam ele responde: “Please!”), super-confiante, que foge das relações, que incentiva os seus amigos a ficarem solteiros, que procura comer o maior número de mulheres, e que tem expressões que resultam na perfeição. Sempre que tem uma ideia brilhante Barney usa a expressão “This is going to be legendary”, mas momentos há em que para enfatizar, Barney insere a frase "wait for it" no meio da palavra, que resulta em algo como "This is going to be: Legen -- wait for it -- Dary!".

É uma das personagens de sitcom mais divertidas depois do Kramer (Seinfeld)!
Post Scriptum Na página da CBS, que podem aceder apartir do post clicando em cima de "How I met your other", encontram também o link para o blogue do Barney! Quem sabe se algum de vós não quer fazer a adaptação do Bro Code para português?!

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Gira-Discos vs Mp3 (11)

Olá! Mais de uma semana após o último episódio do Gira-Discos vs Mp3, eis-me de volta com mais duas músicas. Não me perguntem onde vou desencantar algumas músicas porque nem eu própria sei como, de repente, me lembro delas! Esta semana, foi uma daquelas em que depois de já ter delineado tudo decidi, no último momento, alterar!

Desta vez foi o Mp3 (enviado por uma das amigas de quem mais sinto falta e cuja amizade começou com um atraso, da minha parte, e com a dinâmica do amigo oculto) que me levou ao Gira-Discos.

O nome da Brandi Carlile fez-me recordar o nome da Carly Simon e isso levou-me à música da banda sonora do “Working Girl” de 1988 (diga-se, como curiosidade, que esta música foi vencedora do Óscar desse ano). O filme, uma comédia romântica em que se retrata o “American Dream”, contava com Harrison Ford, Sigourney Weaver, Melanie Griffith, Alec Baldwin e Kevin Sapcey (sim, ele entrava no filme!). Nada de especial a assinalar no filme, a não ser que é bom para entreter num domingo à tarde chuvoso, quando se quer vegetar em frente à TV sem ter que pensar muito mas, obviamente, sem querer ficar completamente acéfalo. De assinalar a deixa do Alec Baldwin que, quando apanhado pela companheira com outra mulher em pleno acto sexual, diz qualquer coisa como: “This is not what it looks like! I can explain it all!”. (Brilhante a perseverança deste homem a negar!)

Aaah, a música intitula-se "Let the river run".

No Mp3, já devem ter adivinhado, “The story” (parte da banda sonora da “Anatomia de Grey” e tema de um anúncio publicitário). Gosto muito desta música (que pelos primeiros dois versos poderia ser um hino anti-botox, LOL) e a letra, que a determinada altura diz “But these stories don't mean anything / When you've got no one to tell them to” fez-me lembrar o gato do Schrödinger (se não sabem do que estou a falar é uma boa altura para aprender)! Pronto e é destas associações assim estapafúrdias que, de vez em quando, é feita a minha mente! E, também neste caso, esta música adapta-se perfeitamente quando diz: “And all of my friends who think that I'm blessed/They don't know my head is a mess”.

Bom, a esta altura, se não sabem é porque andam MUITO distraídos!

Bom fim-de-semana!

"Na mala de viagem"


Há muito anunciada, a nova rúbrica "Na mala de viagem" chegou! (As malas em viagem têm destas coisas... às vezes "perdem-se" e demoram mais a chegar.)
Na minha mala de viagem há sempre livros. São excelentes companheiros, em férias ou longe de casa em trabalho, na viagem ou nas noites solitárias em quartos de hotel.
As últimas semanas (as férias, portanto!) foram recheadas de livros e 2 descobertas: dois prazeres bem distintos - literatura em inglês e Saramago. Falarei de ambos nas próximas semanas, junto com outras sugestões. Por agora deixo-vos a primeira sugestão desta rúbrica.
É um livro que li há já algum tempo mas cuja história tenho presente e sempre me comove: "A neta do senhor Linh" de Philippe Claudel. É um livro belíssimo, de uma enorme sensibilidade. Um livro cuja história se desenrola numa realidade sempre actual: o exílio forçado dos que fogem da guerra e da devastação. Um livro sobre a solidão, a solidariedade e a amizade que nasce mesmo quando as palavras faladas não podem ser compreendidas.
Se lerem (ou se já leram) deixem a vossa opinião. Boas leituras!
Raio de Sol

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Rosnar amigável


Calvin: I heard that big cats don't purr.

Hobbes: That's true. We're too fierce and ferocious, we don't ever purr.

Calvin: Well what do you call the noise you ake when you get your tummy rubbed?

Hobbes: Growling friendly like.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Super-Heróis

Gosto de super-heróis de carne e osso e por isso tenho os meus.
São gente bem-disposta, com defeitos, de confiança, exemplos de vida, com duas grandes orelhas, uns com uns ombros maiores que outros e que têm uma grande qualidade que lhes admiro: aturam-me! (Há dias em que nem eu me aturo e eles: ATURAM-ME!)

São os meus amigos, e às vezes pergunto-me porquê? Não é falsa modéstia, é mesmo uma dúvida (existencial??) que muitas vezes me assalta, porque é que esta gente, por exemplo: 1) se dispõe a passar mais de uma semana das suas férias com uma miúda que (hoje em dia) passa a maior parte do tempo a chorar ou a não-interagir; 2) passa horas a falar comigo ao telefone; 3) se desespera porque eu passo dias e dias sem lhes atender o telefone; 4) atura birras (de sono, de fome, ou sem razão aparente) (...)?

Tenho-os de várias idades, com diferentes percursos de vida, de vários pontos do país, com diferentes vidas. Todos têm o seu super-poder e também têm a minha admiração e a minha gratidão! Ainda bem que existem! Não sei como conseguem aturar-me, mas OBRIGADO!

A cada dia o seu cuidado*

Tentar viver um dia de cada vez, é este o meu mais recente desafio.
Confesso que, para mim, é difícil. Muito difícil.
Isto de não pensar no amanhã ou ficar a matutar no ontem, não me preocupar com o futuro nem me deixar entorpecer pelo passado, é d-i-f-í-c-i-l!
Tento, um dia de cada vez. Até agora foram mais as vezes falhadas do que as bem sucedidas...

(*)“Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado.” (Mt 6,34)

PS Já falo disto quase desde o início do berloque, confiram em "Hoje, sem pensar no ontem nem temer o amanhã!"

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Gira-Discos vs Mp3 - 10 (antecipação)

Esta semana, no Gira-Discos algo para agradar à Sisa!
No Mp3 um dueto-"milagre" (sugestão externa de algumas semanas) , só possível graças ao tempo em que vivemos!

Enjoy it!

Vacances


Vou estar uns dias em descanso (se conseguir desligar o cérebro)!
Anteciparei por isso o Gira-Discos vs Mp3 desta semana.
Abraço.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

"Chorei um bocado e passou-me". Passa, uma merda. But life will go on and I will smile again.

AS MULHERES TÊM FIOS DESLIGADOS
por António Lobo Antunes, publicado in Visão nº 804 de 31/Jul/08


Há uns tempos a Joana
-Pai, acabei um namoro à homem
Perguntei como era acabar um namoro à homem e vai a miúda
- Disse-lhe o problema não está em ti, está em mim
O que me fez pensar como as mulheres são corajosas e os homens cobardes. Em primeiro lugar só terminam uma relação quando têm outra. Em segundo lugar são incapazes de
-já não gosto de ti
De
-não quero mais
Chegam com discursos vagos, circulares
-preciso de tempo para pensar
-não é que não te ame, amo-te, mas tenho de ficar sozinho umas semanas
Ou declarações do género de
- tu mereces melhor
-estive a reflectir e acho que já não te faço feliz
-necessito de um mês de solidão para sentir a tua falta
E aos amigos
-dá-me os parabéns que lá consegui livrar-me da chata
-custou mas foi
-amandei-lhe aquelas lérias do costume e a gaja engoliu
-chora um dia ou dois e passa-lhe
E pergunto-me se os homens gostam verdadeiramente das mulheres. Em geral querem uma empregada que lhes resolva o quotidiano e com quem durmam, uma companhia porque têm pavor da solidão, alguém que os ampare nas diarreias, nos colarinhos das camisas e nas gripes, tome conta dos filhos e não os aborreça. Não se apaixonam: entusiasmam-se e nem chegam a conhecer com quem estão. Ignoram o que ela sonha, instalam-se no sofá do dia a dia, incapazes de introduzir o inesperado na rotina, só são ternos quando querem fazer amor e acabado o amor arranjam um pretexto para se levantar (chichi, sede, fome, a janela de que esqueceram de fechar o estore ) ou fingem que dormem porque não há paciência para abraços e festinhas, pá e a respiração dela faz-me comichão nas costas, a mania de ficarem agarrados à gente, no ronhónhó, a mania das ternuras, dos beijos, quem é que atura aquilo? Lembro-me de um sujeito que explicava
- o maior prazer que me dá ter relações com a minha mulher é pensar que durante uma semana estou safo
E depois pegam-nos na mão no cinema, encostam-se, colam-se, contam histórias sem interesse nenhum que nunca mais terminam, querem variar de restaurante, querem namoro, diminutivos, palermices e nós ali a aturá-las.
O Dinis Machado contava-me de um conhecedor que lhe aclarava as ideias
- as mulheres têm os fios desligados
E outro elucidou-me que eram como os telefones: avariam-se sem que se entenda a razão, emudecem, não funcionam e o remédio é bater com o aparelho na mesa pare que comecem a trabalhar outra vez. Meus Deus, que pena me dão as mulheres. Se informam
-já não gosto de ti
Se informam
-não quero mais
Aí estão eles alterarem a agressividade com a súplica, ora violentos, ora infantis, a fazerem esperas, a chorarem nos SMS a levantarem a mãozinha e, no instante seguinte a ameaçarem matar-se, a perseguirem, a insistirem, a fazerem figuras tristes, a escreverem cartas lamentosas e ameaçadoras, a entrarem pelo emprego dentro, a pegarem no braço, a sacudirem, a mandarem flores, eles que nunca mandavam a colocarem-se de plantão À porta dado que aquela p*** há-de ter outro e vai pagá-las, dispostos a partes-pagas, cenas ridículas, gritos. A miséria da maior parte dos casais, elas a sonharem com o Zorro, Che Guevara ou eu, e eles a sonharem com o decote da vizinha de baixo, de maneira, de maneira que ao irem para a cama são quatro: os dois que lá se deitam e os outros dois com quem sonham. Sinceramente as minhas filhas preocupam-me: receio que lhes caia na sorte um caramelo que passe À frente delas nas portas, não lhes abra o carro, desapareça logo a seguir por chichi-sede-fome-persianas-mal-descidas-e-os-ladrões-percebes, não se levante quando entram, comece a comer primeiro e um belo dia
(para citar noventa por cento dos escritores portugueses)
- O problema não está em ti está em mim a mexerem a faca na mesa ou a atormentarem a argola do guardanapo, cobardes como sempre. Não tenho nada contra os homens até gosto de alguns. Dos meus amigos. De Schubert. De Ovídio. De Horácio, de Vergílio. De Velásquez. De Rui Costa. De Einzenberger. Razoável a minha colecção. Não tenho nada contra os homens a não ser no que se refere às mulheres. E não me excluo: fui cobarde idiota, desonesto.
Fui (espero que não muitas vezes) rasca. Volta e meia surge-me na cabeça uma frase do Conrad em que ele comenta que tudo o que a vida nos pode dar é um certo conhecimento dela que chega tarde de mais. Resta-me esperar que ainda não seja tarde para mim. A partir de certa altura deixa de se jogar às cartas connosco mesmos e de fazer batota com os outros. O problema não está em ti está em mim, que extraordinária treta. Como os elogios que vêm logo depois: és inteligente, és sensível, és boa, és generosa, oxalá encontres etc..., que mulher não ouviu bugigangas destas? Uma mulher contou-me que o marido iniciou o discurso habitual
- mereces melhor que eu
levou com a resposta
- pois mereço. Rua.
Enfim, mais ou menos isto, e estou a ver a cara dele à banda. Nem uma lágrima para amostra. Rua. A mesma lágrima para amostra. Rua. A mesma amiga para uma amiga sua.
- o que faço às cartas de amor que me escreveu?
e a amiga sua
- Manda-lhas. Pode ser que façam falta.
Fazem de certeza: é só copiar mudando o nome. Perguntei à minha amiga
- E depois de ele se ir embora?
- Depois chorei um bocado e passou-me.
Ontem jantámos juntos. Fumámos um cigarro no automóvel dela, fui para casa e comecei a escrever isto. Palavra de honra que vi na janela uma árvore a sorrir-me. Podem não acreditar mas uma árvore a sorrir-me.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Gira-Discos vs Mp3 - 9

Isto hoje esteve quase para não sair, porque estas ligações à net também não estavam a colaborar... (e a assistência técnica funciona ainda menos, 30 min passados ao telefone sem ter resolução para o problema que depois se solucionou por carolice aqui da "génia da informática")

Hoje no Mp3 a Senhora da casa do vinho! Esperemos que componha mais um bom CD antes de partir.

Temos também um "pseudo" Gira-Discos, a música é velha mas a roupagem é nova. Agrada-me muito esta versão!

Boa semana!

Post Scriptum: Vou começar a cobrar direitos de autor! O meu afilhado acaba de inaugurar uma rubrica semelhante à minha chamada Na estante do Cucu. Confiram e usufruam da linha de leitura infantil.

Gira-Discos vs Mp3 - Sunny Season


Sou fã da minha própria rubrica e portanto, à semelhança do que acontece um pouco em todas as áreas, decidi fazer edições especiais do Gira-Discos vs Mp3!
Esta intitular-se-á "Sunny Season", por razões óbvias (se viverem a sul do Sistema Sintra-Montejunto-Estrela).
Para o Gira-Discos "Summertime" na voz d'Ella, e para o Mp3 "Samba de Verão".
I'll be back!

Suck my dick dizem elas

É este o título da crónica que Fernanda Câncio assina hoje no DN, a propósito dos comentários do almirante Vieira Matias, ex-chefe do Estado-Maior da Armada, sobre o despacho do ministro da Defesa no sentido de acabar com a discriminação das mulheres no acesso a "tropas de elite".

Não sou feminista, sou filha de militar e aplaudo esta crónica!

Confiram em "Suck my dick dizem elas"

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Poemas que vivem na Casota da Piquenina

Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.

Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He Is Dead,
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.

He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last for ever: I was wrong.

The stars are not wanted now: put out every one;
Pack up the moon and dismantle the sun;
Pour away the ocean and sweep up the wood.
For nothing now can ever come to any good.

W.H. Auden

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Na mesinha de cabeceira - Estreia


"Na mesinha de cabeceira" é só uma expressão para baptizar esta rubrica, para evitar que no caso de falecimento deste berloque a rubrica não vá parar ao limbo. (E não me venham com histórias de que o limbo fechou! Não vou nessas tretas!)


Efectivamente na minha mesinha de cabeceira apenas repousa um candeeiro e, desde há uma semana atrás, uma estátua de madeira (eu que sempre me insurgi contra os bibelots e afins, começo a deparar-me com a existência de alguns aqui pela casotada piquenina. Irra! Está visto que coerência é algo que começa a desaparecer...)


Os livros há-os um pouco por todo o lado, mas sobretudo pela única estante da sala e pelo chão. Não que eu ande aos pontapés a eles, mas como o meu sofá é um colchão no chão e quando leio na cama prefiro deixá-lo repousar no chão do que elevar o braço até à mesinha de cabeceira, eles acabam por conhecer o soalho mais de perto.


Não são muitos aqui pela casota, 99,9% deles repousam ainda na casa dos meus pais. Por aqui o chão e a estante vão sendo povoados por livros oferecidos, adquiridos e/ou emprestados. O último ano e meio não foi um ano de leitura intensa, porque me deixei engolir por um ritmo de "falta de vida". Noentanto tenho tentado, desde Maio, voltar a esse prazer e a essa companhia.


Li livros mais "sérios" (como A Estrada, Na praia de Chesil, A Pastoral Americana) e livros "de gaja" (PS I Love You, Sapatos de Rebuçado, A rapariga que roubava livros). De vez em quando volto a um ou outro poema, dos poucos livros de poesia que vivem cá em casa. (Uma vez por outra sinto falto dos meus livros do Corto Maltese... isto de só se estar bem, onde não se está faz-nos sonhar com vida de marinheiro ih!ih!)


Por agora ando a ler "O fim do Sr. Y" da Scarlett Thomas, "Sábado" do Ian McEwan e "A primeira aldeia global. Como Portugal mudou o mundo" que apresenta a perspectiva sobre a história de Portugal através de um inglês de seu nome Martin Page. Falar-vos-ei deles a seu tempo.


Para estreia desta rubrica, escolhi um livro que li recentemente. Não foi por ser o melhor, ou o pior, mas porque foi uma leitura prazerosa em que uma história de amor se torna sombria, cruel e perturbante. Onde sob a capa de uma perfeição, de uma idealização, de uma vontade se esconde o que de mais perturbante se pode esconder num ser humano. Porque pessoas boas fazem coisas más! Fez-me relembrar "O Deus das Moscas". O nome do livro "A menina dos meus olhos", o autor Patrick Redmond, de quem recomendo igualmente e vivamente "Jogos Cruéis".


Boas leituras!

Godmother vs Witchmother

Tenho dois afilhados lindos, mas eu sou suspeita na avaliação.
Uma das coisas boas de ter estes afilhados, é que nos dois casos os convites para ser madrinha foram diferentes do que é habitual.
Gosto de diferenças, do não-diplomático, do não-convencional. É menos aborrecido e dá mais chatices! AHAHAH

A “primeira”, a minha afilhada, pediu-me para ser madrinha dela por escolha própria (uma vez que a sua madrinha no papel era uma madrinha, por questões inerentes ao decurso da vida, ausente). Digamos que tem um gostinho especial um convite pessoal vindo de uma pessoa de 4 anos!
No “segundo” caso, o meu afilhado, fui convidada para ser madrinha ainda a sua existência não passava de um sonho. Cada uma das células que lhe iriam dar origem, ainda estavam longe de se juntar.

Nunca me passou pela ideia ser madrinha, até porque nas histórias infantis de quem eu gostava MESMO era da bruxa má. O resto era tudo muito cor-de rosa! Ainda hoje não gosto de cor-de rosa! Prefiro os ambientes Tim Burtonianos.

Tento ser uma madrinha diferente, uma que usa vassoura e que é meia louca! Não sou uma madrinha muito presente, até porque me desloquei fisicamente para longe deles, mas de vez em quando pego na minha vassoura e vejo-os.

Com a minha afilhada, comecei sua (des)educação com uma “revolução de molas” em que literalmente deixámos o sotão em “pantanas” e parece que continuo em grande, porque ela agora quer ser cientista “como a madrinha”. Espero que seja para fazer poções venenosas!

O meu afilhado, é o meu Cucu, (des)educo-o com constantes elogios que o fazem “bater pestanas”, como só ele sabe, e ficar ainda mais vaidoso! Canso-o com as minhas tontarias e peço-lhe para me dar colo (vêm como é tudo ao contrário!).

Não seria capaz, de como é suposto, substituir os pais destas duas criaturas, mas agrada-me o facto de me ter sido investido formalmente o poder de lhes poder tentar mostrar o lado mais “louco” da vida. Por isso gosto mais de pensar que sou uma Witchmother!

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Gira-Discos vs Mp3 - 8 (o meu número)


8! O meu número!
Esta semana Gira-Discos vs Mp3 é dedicado a todos os que têm coragem de amar, de se doar ao outro na totalidade, de arriscar em ser feliz, que sofrem com a perda mas não fogem de amar!

Aos sobreviventes, aos resistentes, aos lutadores, aos corajosos, aos audazes e aos exagerados!

Aos que ousam viver!

Bom fim-de-semana!

  © Blogger templates 'oplanetadapiquenina' by oplanetadapiquenina 2009

Back to TOP