sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Gira-Discos vs Mp3 - 13 (sem qualquer superstição)

Parece que foi ontem e já lá vão 13 semanas de Gira-Discos vs Mp3. É impressão minha ou apartir de certa altura parece que as leis do universo mudam e o tempo não passa à mesma velocidade?

Aqui no Planeta a única superstição é a eventualidade de poder morrer de estupidez natural, sem se ter consciência de tal, por isso o número 13 não assusta ninguém!

Mais uma vez não recorri à lista já compilada (e que já tem músicas para mais outras tantas semanas) e fiz duas novas opções. No Gira-Discos um género musical ainda não contemplado aqui no Planeta, mas que tem o dom de limpar a mente, arrepiar a pele e até criar lágrimas (génios são estas criaturas que são capazes de nos emocionar com um "conjunto de notas").
No Mp3 uma música de quem muito me agrada, acompanhada da cena de um filme que gosto de ver quando estou de "mal com a vida" (é bem disposto, não-pretencioso, tem um personagem decadente e tem um belo início). Também este senhor é capaz de arrepiar, limpar a mente e fazer correr lágrimas (aconteceu-me o ano passado quando o ouvi no Theatro Circo).

Espero que gostem tanto como eu!

Post Scriptum: Estarei ausente da net no Domingo, por isso antecipei este ritual!

As mãos (o mais recente poema que vive na casota)

Com mãos se faz a paz se faz a guerra.
Com mãos tudo se faz e se desfaz.
Com mãos se faz o poema – e são de terra.
Com mãos se faz a guerra – e são a paz.

Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra.
Não são de pedras estas casas mas
de mãos. E estão no fruto e na palavra
as mãos que são o canto e são as armas.

E cravam-se no Tempo como farpas
as mãos que vês nas coisas transformadas.
Folhas que vão no vento: verdes harpas.

De mãos é cada flor cada cidade.
Ninguém pode vencer estas espadas:
nas tuas mãos começa a liberdade.

Manuel Alegre

Mamma Mia

Imaginem:

1) que junto os meus amigos;
2) que os levo para uma ilha e que decidimos brincar às teatrices;
3) que até aqueles que cantam (MESMO) muito mal, também têm direito a cantar (e são uns poucos que eu conheço e que se podiam candidatar);
4) que nos divertimos imenso, porque só o fazemos para nosso bel prazer!

O Mamma Mia é isto!

Nunca, até hoje, nada tão kitsch e tão "não-filme" me soube TÃO BEM!

Ainda ando para aqui a cantarolar o Dancing Queen. Se quiserem recordar cliquem aqui.


Post Scriptum: Só não poderia fazer um "Mamma Mia" com os meus amigos, porque (infelizmente, e desculpem rapazes) não há nenhum Pierce Brosnan no grupo!

Na mesinha de cabeceira (2)

Na realidade ainda ando à volta com vários livros, mas estas férias trouxeram-me um livro sobre a "doce" melancolia dos tempos que já não voltam mais. O Livro: "Reviver o Passado em Brideshead" da autoria de Evelyn Waugh.


Charles Ryder revive, em tempo de guerra, o período que antecede a II Guerra Mundial, altura em que conheceu na Universidade de Oxford Sebastian Flyte (e a sua família Marchmain).

Sebastian Flyte tem tanto de encantador, como de misterioso e excêntrico e a vida de Charles muda radicalmente com este encontro.

Charles apaixona se por Sebastian e deslumbra se com a sua família que tem tanto de "encantadora", requintada e formal, como de problemática e complexa nas relações, na fé e nos afectos. O modo como a decadência se instala e como os costumes podem ser castradores e/ou destrutivos são bestialmente abordados. (Eu confesso, tenho um fraquinho por personagens decadentes).

Et in Arcadia Ego

Post Scriptum: Obrigado ao Miguel pela sugestão!

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Gira-Discos vs Mp3 - Especial

Quero ir ver o "Mamma Mia", porque:
1) deve ser bem-disposto;
2) lembro-me das músicas tocarem lá em casa quando era miúda;
3) quero "lavar as vistas".

Assim decidi fazer uma edição do Gira-Discos vs Mp3 especial, dedicado aos ABBA!

"Here I go again"

E se, de repente, um desconhecido vos oferece uma revista?

E se, de repente, um desconhecido vos oferece uma revista?
É um gesto simpático.

E se, acompanhado da revista o desconhecido vos diz: "Está com um ar tão triste, pode ser que ajude..."?
É sensibilidade.

E se depois nos diz: "Há dias em que não nos apetece falar com ninguém", nos dá um sorriso e nos pergunta: "Vai ficar bem?"
É de nos deixar sem palavras.

Aconteceu hoje a caminho de casa.

domingo, 31 de agosto de 2008

HELP! CAT ALERT!

Preciso da vossa ajuda! Há muito tempo que tenho a vontade de ter um(a) gato(a).

Agora que estou sozinha essa vontade voltou e ainda com mais força! Até há uma associação aqui em Braga (Associação Bracarense Amigos do Animais - ABRA) que tem bichinhos para salvar/adoptar.


Aaaaaaaaah, mas estou indecisa. Não sei se o hei-de fazer ou não. São as férias, as despesas... mas é também a companhia e o mimo...



Help me! Vá lá, assim como se estivessemos a fazer uma sondagem: Sim ou Não?

sábado, 30 de agosto de 2008

Eu esperei...

Enviaram-me esta sugestão de livro: "Eu Espero".


Cliquem aqui e serão encaminhados para a página que o descreve e onde o podem folhear, ao som da música do Zeca Afonso.
Parece delicioso.

Eu já esperei (muito), agora não espero mais (nada)...

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Gira-Discos vs Mp3 - uma dúzia!

Mais uma vez procedi a alterações, quase à última hora, o que faz com que se vão acumulando Mp3's e LP's...


Desta vez decidi que os recentes cinquentões iam reinar aqui no Planeta.
Assim temos no Gira-Discos Michael Jackson e no Mp3 Madonna.

Dois ícones do mundo da pop, um que mantêm o estrelato e a capacidade de se reinventar e outro que, de tanto se "reinventar", caiu em pedaços.

Boa semana!


Post Scriptum: Tentei colocar o teledisco original do Billie Jean, mas o youtube não colaborou! Assim na barra lateral ficou uma versão Live! Se clicarem aqui podem rever o original.

Banho


Sabem como é que tomar banho de chuveiro pode ser um GRANDE passo para alguém?

Confiram aqui.

E se querem saber como começou esta "aventura" podem ler o primeiro de muitos posts em "A história deste Principezinho".

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Ouros, copas, espadas e paus

Perdi-me! Algures no caminho perdi-me de mim.
E, no entretanto, cansei-me.
Por isso não insisto em procurar, já procurei e já corri atrás muitas vezes, agora fico quieta, pode ser que se permanecer no mesmo sítio volte a descobrir o caminho para casa. Como quando perdemos um objecto, ou nos esquecemos do que íamos a fazer e quando refazemos o trajecto, de repente, voltamos a recordar ou a encontrar.

Não gosto de perder, nunca gostei. Em miúda, a jogar às cartas com a minha mãe, quando percebia que ia perder atirava as cartas todas ao ar para que não chegasse ao fim do jogo e não se constatasse a evidência da minha perda. Agora já não é assim, não posso deitar as cartas ao ar e efectivamente já constatei que perdi.

Se, por um acaso, me encontrarem por aí mandem-me de volta. Não sou lá muito bem mandada, mas nunca se sabe...

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

O Menino de Cabul (The Kite Runner)

(Piquenina, não combinámos periodicidade para a nossa rúbrica a duas mãos ("Na mala de viagem" e "Na mesinha de cabeceira") e, como eu até estou de viagem, e com mala... :-) voilá!)

Gosto de livros que deixam uma marca: que me dão a conhecer uma realidade que ignorava, que me questionam, que me emocionam e que, depois de lido, alteram a forma como vejo os outros ou o mundo. "O Menino de Cabul" ("The Kite Runner" no título original) é um desses livros.

O passado recente do Afeganistão chega até nós nas notícias dos conflitos, nos números dos mortos, feridos e deslocados de guerra e nas imagens de gente sofrida mas alimentando a esperança de uma vida melhor. E por trás de tudo isto, há as vidas das pessoas, os sonhos construídos e destruídos... As cidades que conhecemos das batalhas mais importantes adquirem outra vida quando acompanhamos Amir nas suas memórias.

Um livro belíssimo (que li no original, em inglês), já adaptado ao cinema (um filme que não vi) e que recomendo vivamente. Um livro para olhar o Afeganistão (e o mundo) de forma diferente.

Raio de Sol

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

"This is going to be: LEGEN -- wait for it -- DARY!"

Cada vez vejo menos TV, cada vez vou menos ao cinema (é impressão minha ou a crise daquilo a que se pode chamar um BOM filme instalou-se?), cada vez vejo mais séries e filmes em DVD. Poupa-se na publicidade, sabe-se a que horas se vai EFECTIVAMENTE ver o que se pretende e, além do mais, para alguns filmes é a única alternativa (uma vez que nem sequer chegam às nossas salas de cinema).

Uma das minhas mais recentes descobertas, porque lá na casota não há TV por cabo, (mas imagino que a maioria de vós já conhece) foi a série “How I met your mother”. Confesso que o que me prende a esta série é a personagem Barney Stinson (Neil Patrick Harris, o Doogie Howser de outros tempos). How I Met Your Mother é uma sitcom da CBS criada por Carter Bays e Craig Thomas. O título descreve exactamente o que se pretende. A série gira em torno da vida de Ted Mosby (e é narrada pelo o próprio, que 25 anos mais tarde está a contar aos seus filhos as histórias que o levaram a conhecer a mãe) e dos seus amigos Marshall Eriksen, Robin Scherbatsky, Lily Aldrin e Barney Stinson.

Se Marshall e a Lily, a Robin e o Ted, formam casais “típicos” e não acrescentam muito ao que já se viu a personagem de Barney Stinson é desconcertante! Barney é um yuppie (sempre de fato, por razões que são desvendadas num episódio da 1ª temporada) mas ninguém sabe exactamente o que ele faz (e sempre que lhe perguntam ele responde: “Please!”), super-confiante, que foge das relações, que incentiva os seus amigos a ficarem solteiros, que procura comer o maior número de mulheres, e que tem expressões que resultam na perfeição. Sempre que tem uma ideia brilhante Barney usa a expressão “This is going to be legendary”, mas momentos há em que para enfatizar, Barney insere a frase "wait for it" no meio da palavra, que resulta em algo como "This is going to be: Legen -- wait for it -- Dary!".

É uma das personagens de sitcom mais divertidas depois do Kramer (Seinfeld)!
Post Scriptum Na página da CBS, que podem aceder apartir do post clicando em cima de "How I met your other", encontram também o link para o blogue do Barney! Quem sabe se algum de vós não quer fazer a adaptação do Bro Code para português?!

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Gira-Discos vs Mp3 (11)

Olá! Mais de uma semana após o último episódio do Gira-Discos vs Mp3, eis-me de volta com mais duas músicas. Não me perguntem onde vou desencantar algumas músicas porque nem eu própria sei como, de repente, me lembro delas! Esta semana, foi uma daquelas em que depois de já ter delineado tudo decidi, no último momento, alterar!

Desta vez foi o Mp3 (enviado por uma das amigas de quem mais sinto falta e cuja amizade começou com um atraso, da minha parte, e com a dinâmica do amigo oculto) que me levou ao Gira-Discos.

O nome da Brandi Carlile fez-me recordar o nome da Carly Simon e isso levou-me à música da banda sonora do “Working Girl” de 1988 (diga-se, como curiosidade, que esta música foi vencedora do Óscar desse ano). O filme, uma comédia romântica em que se retrata o “American Dream”, contava com Harrison Ford, Sigourney Weaver, Melanie Griffith, Alec Baldwin e Kevin Sapcey (sim, ele entrava no filme!). Nada de especial a assinalar no filme, a não ser que é bom para entreter num domingo à tarde chuvoso, quando se quer vegetar em frente à TV sem ter que pensar muito mas, obviamente, sem querer ficar completamente acéfalo. De assinalar a deixa do Alec Baldwin que, quando apanhado pela companheira com outra mulher em pleno acto sexual, diz qualquer coisa como: “This is not what it looks like! I can explain it all!”. (Brilhante a perseverança deste homem a negar!)

Aaah, a música intitula-se "Let the river run".

No Mp3, já devem ter adivinhado, “The story” (parte da banda sonora da “Anatomia de Grey” e tema de um anúncio publicitário). Gosto muito desta música (que pelos primeiros dois versos poderia ser um hino anti-botox, LOL) e a letra, que a determinada altura diz “But these stories don't mean anything / When you've got no one to tell them to” fez-me lembrar o gato do Schrödinger (se não sabem do que estou a falar é uma boa altura para aprender)! Pronto e é destas associações assim estapafúrdias que, de vez em quando, é feita a minha mente! E, também neste caso, esta música adapta-se perfeitamente quando diz: “And all of my friends who think that I'm blessed/They don't know my head is a mess”.

Bom, a esta altura, se não sabem é porque andam MUITO distraídos!

Bom fim-de-semana!

"Na mala de viagem"


Há muito anunciada, a nova rúbrica "Na mala de viagem" chegou! (As malas em viagem têm destas coisas... às vezes "perdem-se" e demoram mais a chegar.)
Na minha mala de viagem há sempre livros. São excelentes companheiros, em férias ou longe de casa em trabalho, na viagem ou nas noites solitárias em quartos de hotel.
As últimas semanas (as férias, portanto!) foram recheadas de livros e 2 descobertas: dois prazeres bem distintos - literatura em inglês e Saramago. Falarei de ambos nas próximas semanas, junto com outras sugestões. Por agora deixo-vos a primeira sugestão desta rúbrica.
É um livro que li há já algum tempo mas cuja história tenho presente e sempre me comove: "A neta do senhor Linh" de Philippe Claudel. É um livro belíssimo, de uma enorme sensibilidade. Um livro cuja história se desenrola numa realidade sempre actual: o exílio forçado dos que fogem da guerra e da devastação. Um livro sobre a solidão, a solidariedade e a amizade que nasce mesmo quando as palavras faladas não podem ser compreendidas.
Se lerem (ou se já leram) deixem a vossa opinião. Boas leituras!
Raio de Sol

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Rosnar amigável


Calvin: I heard that big cats don't purr.

Hobbes: That's true. We're too fierce and ferocious, we don't ever purr.

Calvin: Well what do you call the noise you ake when you get your tummy rubbed?

Hobbes: Growling friendly like.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Super-Heróis

Gosto de super-heróis de carne e osso e por isso tenho os meus.
São gente bem-disposta, com defeitos, de confiança, exemplos de vida, com duas grandes orelhas, uns com uns ombros maiores que outros e que têm uma grande qualidade que lhes admiro: aturam-me! (Há dias em que nem eu me aturo e eles: ATURAM-ME!)

São os meus amigos, e às vezes pergunto-me porquê? Não é falsa modéstia, é mesmo uma dúvida (existencial??) que muitas vezes me assalta, porque é que esta gente, por exemplo: 1) se dispõe a passar mais de uma semana das suas férias com uma miúda que (hoje em dia) passa a maior parte do tempo a chorar ou a não-interagir; 2) passa horas a falar comigo ao telefone; 3) se desespera porque eu passo dias e dias sem lhes atender o telefone; 4) atura birras (de sono, de fome, ou sem razão aparente) (...)?

Tenho-os de várias idades, com diferentes percursos de vida, de vários pontos do país, com diferentes vidas. Todos têm o seu super-poder e também têm a minha admiração e a minha gratidão! Ainda bem que existem! Não sei como conseguem aturar-me, mas OBRIGADO!

A cada dia o seu cuidado*

Tentar viver um dia de cada vez, é este o meu mais recente desafio.
Confesso que, para mim, é difícil. Muito difícil.
Isto de não pensar no amanhã ou ficar a matutar no ontem, não me preocupar com o futuro nem me deixar entorpecer pelo passado, é d-i-f-í-c-i-l!
Tento, um dia de cada vez. Até agora foram mais as vezes falhadas do que as bem sucedidas...

(*)“Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado.” (Mt 6,34)

PS Já falo disto quase desde o início do berloque, confiram em "Hoje, sem pensar no ontem nem temer o amanhã!"

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Gira-Discos vs Mp3 - 10 (antecipação)

Esta semana, no Gira-Discos algo para agradar à Sisa!
No Mp3 um dueto-"milagre" (sugestão externa de algumas semanas) , só possível graças ao tempo em que vivemos!

Enjoy it!

Vacances


Vou estar uns dias em descanso (se conseguir desligar o cérebro)!
Anteciparei por isso o Gira-Discos vs Mp3 desta semana.
Abraço.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

"Chorei um bocado e passou-me". Passa, uma merda. But life will go on and I will smile again.

AS MULHERES TÊM FIOS DESLIGADOS
por António Lobo Antunes, publicado in Visão nº 804 de 31/Jul/08


Há uns tempos a Joana
-Pai, acabei um namoro à homem
Perguntei como era acabar um namoro à homem e vai a miúda
- Disse-lhe o problema não está em ti, está em mim
O que me fez pensar como as mulheres são corajosas e os homens cobardes. Em primeiro lugar só terminam uma relação quando têm outra. Em segundo lugar são incapazes de
-já não gosto de ti
De
-não quero mais
Chegam com discursos vagos, circulares
-preciso de tempo para pensar
-não é que não te ame, amo-te, mas tenho de ficar sozinho umas semanas
Ou declarações do género de
- tu mereces melhor
-estive a reflectir e acho que já não te faço feliz
-necessito de um mês de solidão para sentir a tua falta
E aos amigos
-dá-me os parabéns que lá consegui livrar-me da chata
-custou mas foi
-amandei-lhe aquelas lérias do costume e a gaja engoliu
-chora um dia ou dois e passa-lhe
E pergunto-me se os homens gostam verdadeiramente das mulheres. Em geral querem uma empregada que lhes resolva o quotidiano e com quem durmam, uma companhia porque têm pavor da solidão, alguém que os ampare nas diarreias, nos colarinhos das camisas e nas gripes, tome conta dos filhos e não os aborreça. Não se apaixonam: entusiasmam-se e nem chegam a conhecer com quem estão. Ignoram o que ela sonha, instalam-se no sofá do dia a dia, incapazes de introduzir o inesperado na rotina, só são ternos quando querem fazer amor e acabado o amor arranjam um pretexto para se levantar (chichi, sede, fome, a janela de que esqueceram de fechar o estore ) ou fingem que dormem porque não há paciência para abraços e festinhas, pá e a respiração dela faz-me comichão nas costas, a mania de ficarem agarrados à gente, no ronhónhó, a mania das ternuras, dos beijos, quem é que atura aquilo? Lembro-me de um sujeito que explicava
- o maior prazer que me dá ter relações com a minha mulher é pensar que durante uma semana estou safo
E depois pegam-nos na mão no cinema, encostam-se, colam-se, contam histórias sem interesse nenhum que nunca mais terminam, querem variar de restaurante, querem namoro, diminutivos, palermices e nós ali a aturá-las.
O Dinis Machado contava-me de um conhecedor que lhe aclarava as ideias
- as mulheres têm os fios desligados
E outro elucidou-me que eram como os telefones: avariam-se sem que se entenda a razão, emudecem, não funcionam e o remédio é bater com o aparelho na mesa pare que comecem a trabalhar outra vez. Meus Deus, que pena me dão as mulheres. Se informam
-já não gosto de ti
Se informam
-não quero mais
Aí estão eles alterarem a agressividade com a súplica, ora violentos, ora infantis, a fazerem esperas, a chorarem nos SMS a levantarem a mãozinha e, no instante seguinte a ameaçarem matar-se, a perseguirem, a insistirem, a fazerem figuras tristes, a escreverem cartas lamentosas e ameaçadoras, a entrarem pelo emprego dentro, a pegarem no braço, a sacudirem, a mandarem flores, eles que nunca mandavam a colocarem-se de plantão À porta dado que aquela p*** há-de ter outro e vai pagá-las, dispostos a partes-pagas, cenas ridículas, gritos. A miséria da maior parte dos casais, elas a sonharem com o Zorro, Che Guevara ou eu, e eles a sonharem com o decote da vizinha de baixo, de maneira, de maneira que ao irem para a cama são quatro: os dois que lá se deitam e os outros dois com quem sonham. Sinceramente as minhas filhas preocupam-me: receio que lhes caia na sorte um caramelo que passe À frente delas nas portas, não lhes abra o carro, desapareça logo a seguir por chichi-sede-fome-persianas-mal-descidas-e-os-ladrões-percebes, não se levante quando entram, comece a comer primeiro e um belo dia
(para citar noventa por cento dos escritores portugueses)
- O problema não está em ti está em mim a mexerem a faca na mesa ou a atormentarem a argola do guardanapo, cobardes como sempre. Não tenho nada contra os homens até gosto de alguns. Dos meus amigos. De Schubert. De Ovídio. De Horácio, de Vergílio. De Velásquez. De Rui Costa. De Einzenberger. Razoável a minha colecção. Não tenho nada contra os homens a não ser no que se refere às mulheres. E não me excluo: fui cobarde idiota, desonesto.
Fui (espero que não muitas vezes) rasca. Volta e meia surge-me na cabeça uma frase do Conrad em que ele comenta que tudo o que a vida nos pode dar é um certo conhecimento dela que chega tarde de mais. Resta-me esperar que ainda não seja tarde para mim. A partir de certa altura deixa de se jogar às cartas connosco mesmos e de fazer batota com os outros. O problema não está em ti está em mim, que extraordinária treta. Como os elogios que vêm logo depois: és inteligente, és sensível, és boa, és generosa, oxalá encontres etc..., que mulher não ouviu bugigangas destas? Uma mulher contou-me que o marido iniciou o discurso habitual
- mereces melhor que eu
levou com a resposta
- pois mereço. Rua.
Enfim, mais ou menos isto, e estou a ver a cara dele à banda. Nem uma lágrima para amostra. Rua. A mesma lágrima para amostra. Rua. A mesma amiga para uma amiga sua.
- o que faço às cartas de amor que me escreveu?
e a amiga sua
- Manda-lhas. Pode ser que façam falta.
Fazem de certeza: é só copiar mudando o nome. Perguntei à minha amiga
- E depois de ele se ir embora?
- Depois chorei um bocado e passou-me.
Ontem jantámos juntos. Fumámos um cigarro no automóvel dela, fui para casa e comecei a escrever isto. Palavra de honra que vi na janela uma árvore a sorrir-me. Podem não acreditar mas uma árvore a sorrir-me.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Gira-Discos vs Mp3 - 9

Isto hoje esteve quase para não sair, porque estas ligações à net também não estavam a colaborar... (e a assistência técnica funciona ainda menos, 30 min passados ao telefone sem ter resolução para o problema que depois se solucionou por carolice aqui da "génia da informática")

Hoje no Mp3 a Senhora da casa do vinho! Esperemos que componha mais um bom CD antes de partir.

Temos também um "pseudo" Gira-Discos, a música é velha mas a roupagem é nova. Agrada-me muito esta versão!

Boa semana!

Post Scriptum: Vou começar a cobrar direitos de autor! O meu afilhado acaba de inaugurar uma rubrica semelhante à minha chamada Na estante do Cucu. Confiram e usufruam da linha de leitura infantil.

Gira-Discos vs Mp3 - Sunny Season


Sou fã da minha própria rubrica e portanto, à semelhança do que acontece um pouco em todas as áreas, decidi fazer edições especiais do Gira-Discos vs Mp3!
Esta intitular-se-á "Sunny Season", por razões óbvias (se viverem a sul do Sistema Sintra-Montejunto-Estrela).
Para o Gira-Discos "Summertime" na voz d'Ella, e para o Mp3 "Samba de Verão".
I'll be back!

Suck my dick dizem elas

É este o título da crónica que Fernanda Câncio assina hoje no DN, a propósito dos comentários do almirante Vieira Matias, ex-chefe do Estado-Maior da Armada, sobre o despacho do ministro da Defesa no sentido de acabar com a discriminação das mulheres no acesso a "tropas de elite".

Não sou feminista, sou filha de militar e aplaudo esta crónica!

Confiram em "Suck my dick dizem elas"

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Poemas que vivem na Casota da Piquenina

Stop all the clocks, cut off the telephone,
Prevent the dog from barking with a juicy bone,
Silence the pianos and with muffled drum
Bring out the coffin, let the mourners come.

Let aeroplanes circle moaning overhead
Scribbling on the sky the message He Is Dead,
Put crepe bows round the white necks of the public doves,
Let the traffic policemen wear black cotton gloves.

He was my North, my South, my East and West,
My working week and my Sunday rest,
My noon, my midnight, my talk, my song;
I thought that love would last for ever: I was wrong.

The stars are not wanted now: put out every one;
Pack up the moon and dismantle the sun;
Pour away the ocean and sweep up the wood.
For nothing now can ever come to any good.

W.H. Auden

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Na mesinha de cabeceira - Estreia


"Na mesinha de cabeceira" é só uma expressão para baptizar esta rubrica, para evitar que no caso de falecimento deste berloque a rubrica não vá parar ao limbo. (E não me venham com histórias de que o limbo fechou! Não vou nessas tretas!)


Efectivamente na minha mesinha de cabeceira apenas repousa um candeeiro e, desde há uma semana atrás, uma estátua de madeira (eu que sempre me insurgi contra os bibelots e afins, começo a deparar-me com a existência de alguns aqui pela casotada piquenina. Irra! Está visto que coerência é algo que começa a desaparecer...)


Os livros há-os um pouco por todo o lado, mas sobretudo pela única estante da sala e pelo chão. Não que eu ande aos pontapés a eles, mas como o meu sofá é um colchão no chão e quando leio na cama prefiro deixá-lo repousar no chão do que elevar o braço até à mesinha de cabeceira, eles acabam por conhecer o soalho mais de perto.


Não são muitos aqui pela casota, 99,9% deles repousam ainda na casa dos meus pais. Por aqui o chão e a estante vão sendo povoados por livros oferecidos, adquiridos e/ou emprestados. O último ano e meio não foi um ano de leitura intensa, porque me deixei engolir por um ritmo de "falta de vida". Noentanto tenho tentado, desde Maio, voltar a esse prazer e a essa companhia.


Li livros mais "sérios" (como A Estrada, Na praia de Chesil, A Pastoral Americana) e livros "de gaja" (PS I Love You, Sapatos de Rebuçado, A rapariga que roubava livros). De vez em quando volto a um ou outro poema, dos poucos livros de poesia que vivem cá em casa. (Uma vez por outra sinto falto dos meus livros do Corto Maltese... isto de só se estar bem, onde não se está faz-nos sonhar com vida de marinheiro ih!ih!)


Por agora ando a ler "O fim do Sr. Y" da Scarlett Thomas, "Sábado" do Ian McEwan e "A primeira aldeia global. Como Portugal mudou o mundo" que apresenta a perspectiva sobre a história de Portugal através de um inglês de seu nome Martin Page. Falar-vos-ei deles a seu tempo.


Para estreia desta rubrica, escolhi um livro que li recentemente. Não foi por ser o melhor, ou o pior, mas porque foi uma leitura prazerosa em que uma história de amor se torna sombria, cruel e perturbante. Onde sob a capa de uma perfeição, de uma idealização, de uma vontade se esconde o que de mais perturbante se pode esconder num ser humano. Porque pessoas boas fazem coisas más! Fez-me relembrar "O Deus das Moscas". O nome do livro "A menina dos meus olhos", o autor Patrick Redmond, de quem recomendo igualmente e vivamente "Jogos Cruéis".


Boas leituras!

Godmother vs Witchmother

Tenho dois afilhados lindos, mas eu sou suspeita na avaliação.
Uma das coisas boas de ter estes afilhados, é que nos dois casos os convites para ser madrinha foram diferentes do que é habitual.
Gosto de diferenças, do não-diplomático, do não-convencional. É menos aborrecido e dá mais chatices! AHAHAH

A “primeira”, a minha afilhada, pediu-me para ser madrinha dela por escolha própria (uma vez que a sua madrinha no papel era uma madrinha, por questões inerentes ao decurso da vida, ausente). Digamos que tem um gostinho especial um convite pessoal vindo de uma pessoa de 4 anos!
No “segundo” caso, o meu afilhado, fui convidada para ser madrinha ainda a sua existência não passava de um sonho. Cada uma das células que lhe iriam dar origem, ainda estavam longe de se juntar.

Nunca me passou pela ideia ser madrinha, até porque nas histórias infantis de quem eu gostava MESMO era da bruxa má. O resto era tudo muito cor-de rosa! Ainda hoje não gosto de cor-de rosa! Prefiro os ambientes Tim Burtonianos.

Tento ser uma madrinha diferente, uma que usa vassoura e que é meia louca! Não sou uma madrinha muito presente, até porque me desloquei fisicamente para longe deles, mas de vez em quando pego na minha vassoura e vejo-os.

Com a minha afilhada, comecei sua (des)educação com uma “revolução de molas” em que literalmente deixámos o sotão em “pantanas” e parece que continuo em grande, porque ela agora quer ser cientista “como a madrinha”. Espero que seja para fazer poções venenosas!

O meu afilhado, é o meu Cucu, (des)educo-o com constantes elogios que o fazem “bater pestanas”, como só ele sabe, e ficar ainda mais vaidoso! Canso-o com as minhas tontarias e peço-lhe para me dar colo (vêm como é tudo ao contrário!).

Não seria capaz, de como é suposto, substituir os pais destas duas criaturas, mas agrada-me o facto de me ter sido investido formalmente o poder de lhes poder tentar mostrar o lado mais “louco” da vida. Por isso gosto mais de pensar que sou uma Witchmother!

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Gira-Discos vs Mp3 - 8 (o meu número)


8! O meu número!
Esta semana Gira-Discos vs Mp3 é dedicado a todos os que têm coragem de amar, de se doar ao outro na totalidade, de arriscar em ser feliz, que sofrem com a perda mas não fogem de amar!

Aos sobreviventes, aos resistentes, aos lutadores, aos corajosos, aos audazes e aos exagerados!

Aos que ousam viver!

Bom fim-de-semana!

domingo, 27 de julho de 2008

Nova rubrica


Esta semana inaugurar-se-á uma nova rubrica neste berloque, desta feita escrita a duas mãos.

Teremos aqui, à semelhança do Gira-Discos vs Mp3, uma rubrica para livros.
Será "Na mesinha de cabeceira" vs "Na mala de viagem", corrige-me se tiver errada Raio de Sol.


Alternadamente, eu e o Raio de Sol, vamos falar-vos de um livro que lemos, sem outro critério que não seja o gosto pessoal.


Esperemos que gostem tanto como nós

Gira-Discos vs Mp3 - e aí vão 7!

Esta semana, caros amigos, é a anarquia.
Sem critério, sem conjugações, sem sentido.
Não podiam ser mais díspares as épocas, os estilos, a toada e até a cor.

Apesar de tudo espero que gostem.

Boa Semana!

domingo, 20 de julho de 2008

Gira-Discos vs. Mp3 – Chegámos à meia dúzia!

Não me perguntem como me surgiu a ideia para esta rubrica, já não me lembro. (O Sr. Alzheimer ja me espreita por cima do ombro, mais vezes do que era costume).
No entanto, sei que me é muito prazeroso pensar nela todas as semanas. Às vezes já a tenho delineada e, à última da hora, decido trocar tudo porque simplesmente o estado de espírito mudou, porque houve uma sugestão que me “tocou” mais, ou porque houve uma surpresa que descobri na net.

Esta semana no Gira-Discos deixo-vos, quiçá, mais uma escolha improvável tendo em conta a minha faixa etária e até porque esta música, ao contrário da do Joe Dassin, não povoou a minha infância. É uma Senhora que a canta, pela voz, pela postura, pela frontalidade que lhe reconheço e me agrada. O poema não consegui descobrir de quem é, mas é belíssimo. Gosto muito destas canções que contam uma história com princípio meio e fim, de um jeito que parece simples de fazer e acessível a qualquer um. Como se todos fossemos capazes de contar uma história, através de um poema! O dueto, desta versão, resulta na perfeição (para mim)!

No Mp3 deixo-vos uma banda que descobri há uns anos através de um amigo de longa data e que está longe (Fábio, ajudo-te nesta missão de propagares a existência destes senhores). Boa sonoridade, boas letras, a canção chama-se Neighborhoods e os senhores são os "Arcade Fire".

Uma salva de palmas por favor!

Uma óptima semana para todos!

sábado, 19 de julho de 2008

Céu limpo e sol a brilhar em todo o planeta!


E eis que chegou, em todo o seu esplendor, o Raio de Sol a este planeta!
Batam palmas e usufruam, como eu, do seu calor! Já é e vai continuar a ser um prazer desfrutar da sua presença, em todas as estações do ano!

sexta-feira, 18 de julho de 2008

Em viagem

Sentada numa sala no aeroporto de Newark (EUA), entre dezenas de desconhecidos em trânsito para múltiplos destinos, uso o meu computador para me escrever a primeira mensagem neste berloque (gosto muito deste nome!).

A Piquenina é uma amizade recente mas muito especial. A ela (e ao seu convite para escrever aqui) devo o recuperar do "Raio de Sol", há algum tempo escondido entre "nuvens" de um dia-a-dia carregado de trabalho, sem tempo ou serenidade para sintonizar com as coisas simples da vida... desde logo o prazer de ler e escrever e assim ficar mais perto daqueles de quem gostamos.

Sempre gostei muito de escrever e as cartas escritas à mão e colocadas no correio continuam a ser a minha forma preferida de comunicar com os amigos. Email algum pode superar o prazer de uma carta escrita à mão, de um postal escolhido a pensar na pessoa e no que lhe queremos dizer ou fazer sentir.

Escrever tem um efeito terapêutico em mim, de dar sentido a ideias e pensamentos. Normalmente faço-o para uma pessoa só (ou mesmo só para mim!), pelo que esta experiência me intimidou um pouquinho (mas só um pouquinho...). Vamos ver se passa... :-)

As viagens são momentos em que costumava escrever muito e, também por isso, gosto muito de viajar sozinha. Raramente me aborreço ou lamento a falta de companhia. Gosto de sentar no aeroporto e observar as pessoas à minha volta, os que partem e os que chegam, os encontros e desencontros, a diversidade.. Há tanto mundo para descobrir por esse mundo fora!

Gosto de escolher o livro que vou levar para uma viagem, gosto de pegar no papel de carta e decidir a quem vou escrever. Gosto destes momentos só para mim, sem "interacções" obrigatórias com algum conhecido ou colega de trabalho. Gosto desta forma de liberdade. Gosto até de constatar a minha impotência para diminuir uma espera de 6 horas (como agora!).

Gosto de tudo isto de que vos falei e gosto muito, mas mesmo muito, da Piquenina.
Obrigada pelo desafio deste convite.

Saudade.

domingo, 13 de julho de 2008

Gira-Discos vs Mp3 - 2 em 1

Esta semana, deixo-vos com um 2 em 1. Enviaram-ma numa altura importante da vida e quis partilhá-la convosco. Uma música antiga com uma roupagem nova.

Espero que gostem.


Boa semana.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Let the sun shine in!

Este Planeta fez uma aquisição! Com o Verão que teima em não chegar, decidi ir em busca de um Raio de Sol! Não só por isso, luminosidade é algo que também se precisa neste Planeta para que se insufle vida, em momentos mais sombrios.

Um dia destes ele vai despontar, quiçá meio tímido por entre as nuvens, ou então virá com toda a força e calor!

A certeza é de que será sempre bem-vindo!

Let the sun shine in!

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Exagerado!

Audaz, excêntrico, provocador...
Podem-se usar muitos adjectivos para descrever este senhor.
Vi-o uma vez ao vivo, em criança, e a imagem que me ficou gravada na retina foi tão forte que desde logo me apaixonei por esta "criatura".

A melhor descrição que alguma vez ouvi do seu aparelho vocal dizia que era "uma voz de mulher numa garganta de homem".

Exagerado seria o adjectivo que utilizaria para o descrever!

Confiram em http://www.youtube.com/watch?v=DrEATVl1glE

sábado, 5 de julho de 2008

Sonhar em "Grande" - É delicioso!

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Gira-Discos vs Mp3 - E eis-nos chegados à 4ª semana!


E eis que chegámos à quarta semana de Gira-discos vs Mp3. (Palmas por favor!)

CLAP! CLAP! CLAP!

Esta semana, excepcionalmente, não com a actualização ao Domingo, mas à sexta-feira.


Devo aqui dizer que, tirando algumas excepções, tem havido uma fraca contribuição para esta rubrica! O que é uma pena porque é uma EXCELENTE rubrica deste não menos ESPECTACULAR berloque! (Afinal, se eu não gostar de mim quem gostará? PUB). Ás excepções, por favor continuem a contribuir, vou concerteza publicá-las num futuro próximo.

Assim sendo vão ficando à minha mercê. (Hum... se calhar é isso que vocês querem!)

Na secção dos frescos esta semana começou a ser difícil. Há 1001 alternativas, 70 vezes 7 razões diferentes para diferentes sons, mas 3 vezes 9 são vinte e sete, e noves fora nada: acabei por escolher a Maria (Rita) com um samba, para celebrar antecipadamente os dias mais quentes que ainda estão para vir (I hope so!).

“Perfumei o corredor
Defumei o elevador
Prá tirar de vez o mal olhado
A saudade me esquentou
Consertei o ventilador
Pro teu corpo não ficar suado
Nessa onda de calor
Eu até peguei uma cor
Tô com o corpo todo bronzeado...

(...)

E se voltar te dou café
Preliminar com cafuné
Prá deixar teu dia mais gostoso
Pode almoçar o que quiser
E repetir, te dou colher
Faz aquele jeito carinhoso
Deixa pintar o entardecer
E o sol brincar de se esconder
Tarde e chuva eu fico mais fogosa
E vá ficando pro jantar
Tu vai ver só, pode esperar
Que a noite será maravilhosa
Yeh! Yeh! Yeh!...”

Na secção dos congelados continuamos no capítulo francófono! (Por favor não desistam desta rubrica só porque tem algumas coisas em francês, até pus uma versão com legendas!). Desta vez regressamos ao ano de 1973 e o senhor que despertava as paixões chamava-se Joe Dassin (Coloco-o aqui sobretudo por que me lembro muito bem disto tocar lá em casa quando eu era “ainda mais” piquenina). A música “Et si tu n’existais pas”.

Um bom fim-de-semana!
P.S. Como actualizei (antes de tempo) deixarei as músicas da passada semana ligadas a esta rubrica, mais alguns dias.

P.S. I Love you




Também sobre amor e fazer caminho, mas num registo oposto ao d'A Estrada (não é possível comparar) encontra-se o livro "P.S. I Love you" ("P.S. Eu amo-te" na versão portuguesa, editado pela Editorial Presença) da Cecelia Ahern.


Holly Kennedy é uma jovem (durante o seguimento da história faz 30 anos) que é casada com o homem de sua vida, o divertido e apaixonado Gerry. Mas ele fica doente e morre, o que deixa Holly em estado de choque. Como legado, Gerry faz uma lista de tarefas que a mulher terá de cumprir ao longo de 10 meses. Como alguém sobrevive à dor da perda? E como é que alguém que a ama a ajuda a fazer esse caminho?


Um livro que se lê de um fôlego (Li-o no meu tempo livre entre 3ª-feira à noite e 5ª-feira à noite), bem-disposto apesar da temática (soltei umas valentes gargalhadas no comboio que liga Braga-Porto o que levou alguns dos passageiros a franzir o sobrolho às 8h), e leve sem ser acéfalo! (Entendem o que quero dizer?)

Bom para ler na praia!

P.S. Se o filme for tão despretencioso e divertido como o livro vai valer a pena ver!

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Ser um copo ou ser um lago?


O velho Mestre pediu a um jovem triste que colocasse uma mão cheia de sal num copo d'água e bebesse.

Qual é o gosto? - perguntou o Mestre.

Ruim - disse o aprendiz.

O Mestre sorriu e pediu ao jovem que pegasse noutra mão cheia de sal e levasse a um lago.

Os dois caminharam em silêncio e o jovem jogou o sal no lago.

Então o velho disse:

- Beba um pouco dessa água.

Enquanto a água escorria do queixo do jovem o Mestre perguntou:

- Qual é o gosto?

- Bom! disse o rapaz.

- Você sente o gosto do sal? perguntou o Mestre.

- Não disse o jovem.


O Mestre então, sentou -se ao lado do jovem, pegou nas suas mãos e disse:

- A dor na vida de uma pessoa não muda. Mas o sabor da dor depende de onde a colocamos. Quando você sentir dor, a única coisa que você deve fazer é aumentar o sentido de tudo o que está a sua volta. É dar mais valor ao que você tem do que ao que você perdeu.


Noutras palavras:

É deixar de Ser copo, para se tornar num Lago.
Post Scriptum Obrigado a quem me enviou esta mensagem!

terça-feira, 1 de julho de 2008

A NÃO PERDER: A ESTRADA!










Nos tempos que correm podia ser um livro escrito por camionistas, a propósito da crise dos combustíveis, a combinar o próximo bloqueio ou com piadas sobre o Sócrates, mas não é.

Recebi-o como prenda de aniversário com a seguinte dedicatória: “ A Vida faz-se com muitos passos, em companhia. Que sejamos sempre companheiros de viagem como nos relata este romance.”

Começo por vos dizer que é um dos melhores livros que li até hoje. Sem dúvida porque é um livro bem escrito, profundo, duro, e também porque o li na altura certa. Quando o comecei a ler achei que era parado, que aquilo não atava nem desatava, acabei o livro lavada em lágrimas e de alma lavada. Que pena seria eu ter passado a minha vida sem ter sabido da existência deste livro! E quantos mais haverá e eu não sei...

A história. Um homem e o seu filho percorrem a estrada, em direcção à costa, num mundo post-apocalíptico. Não sabemos o que aconteceu antes, não sabemos os nomes de ninguém, não sabemos como são fisicamente, nem qual o seu passado, não sabemos o porquê de chegar à costa. Sabemos apenas que aquele homem e aquela criança têm que sobreviver numa terra queimada, destruída, onde (quase tudo) morreu, que está coberta de cinzas. Eles vão enfrentando o frio, a chuva e a falta de alimentos, de abrigos, de ajuda de companhia. Já não há aves, nem peixes, nem qualquer outro tipo de animais, as árvores estão mortas, queimadas, e as cidades estão desertas... ( e mais não digo, porque é da descoberta que se fazem as histórias dos livros)

Escrito por Cormac McCarthy, é um livro feito da ausência de nomes e com uma míriade de coisas em aberto. Ficamos com o campo livre para imaginarmos uma grande parte do enredo, sendo que isso não é o essencial, ao fim e ao cabo. Não há divisão em capítulos e está povoado de diálogos deliciosos entranhados no texto, como este:
“Não dava para verem isto de muito longe, pois não, papá?
Quem?
As pessoas, fosse lá quem fosse.
Não. Não de muito longe.
Se quiséssemos mostrar onde é que estávamos.
Aos homens bons, queres tu dizer?
Sim. Alguém que quiséssemos que ficasse a saber onde é que nós estávamos.
Quem, por exemplo?
Não sei.
Deus, é isso?
Sim. Talvez alguém do género.”

Não percam! Acreditem que sou infinitamente "mais rica" depois de o ter lido.
Boa semana!
P.S. A edição em português é da Relógio d'Água.

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