sábado, 15 de novembro de 2008

The Winner Takes it All


Sabem, alguns meses passados daquele e-mail que partilhei convosco (podem reler aqui), acho que efectivamente sou um fio Teia de Aranha. Quem está de fora, e nos conhece bem, às vezes percebe melhor o que somos!

Neste processo que tem vindo a acontecer e em que tenho renascido, qual Fénix, acho que sou uma vencedora. Não porque tenha ganho alguma coisa (se bem que também tenha ganho), mas por tudo aquilo que não deixei que se perdesse.


Não perdi:

- a alegria de viver;
- os valores;
- a capacidade de rir alto (principalmente de mim) e de fazer rir os outros;
- a capacidade de acreditar que as pessoas podem ser melhores;
- a vontade de continuar a ser eu (sem amarras, sem preconceitos, sem julgamentos internos ou externos. não gostam? azaaaaaaaaaar. ponham na bordinha do prato!);
- o mau feitio;
- a impaciência;
- a loucura;
- a luxúria;
- a capacidade de brincar (com tudo o que isso implica, incluindo rebolar no chão atrás do gato, dançar no shopping do Bom Sucesso à hora de almoço, no laboratório ou no meio da rua);
- o sonho

E ganhei;

- um sentido muito mais positivo da vida;
- uma maior capacidade de cuidar de mim;
- um Miu, que todos os dias me resgata para as coisas simples da vida;
- um refinamento para distinguir o essencial do acessório;
- sonhos (novos, antigos, todos os dias aparece mais um!)

A todos os que muito contribuíram para que tudo isto acontecesse: OBRIGADO!

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Viver a doença como parte da Vida

Na semana passada soube que uma das pessoas que eu mais admiro na empresa para a qual tenho trabalhado ao longo do último ano (nos EUA) - um líder brilhante e um homem exemplar - está doente, tem um tumor no cérebro. Em menos de uma semana as perdas de memória ocasionais e outros sintomas simples tiveram esse desfecho. De um dia para o outro é marcada a cirurgia e ele assume a doença perante a organização, escreve um mail (para as pessoas mais próximas) de uma simplicidade e humildade extraordinárias que intitula de "You never know..." - uma mensagem à qual não é alheia a eventualidade de poder ser uma despedida.
E, num gesto em que eu vejo mais uma prova de humildade, cria em http://caringbridge.org/ um site em seu nome para que as pessoas possam acompanhar o desenrolar da sua doença através de um diário que ele próprio e a família vão escrevendo, permanecer em contacto solidário com a família e deixar mensagens de apoio e testemunhos de vida. Uma espécie de visitas sem horário...
Confesso-vos: passou a ser um dos sites que visito uma ou duas vezes por dia. Porque admiro a pessoa e rezo pela sua recuperação, porque admiro a forma natural e humilde como a doença foi assumida, porque admiro a força daquela família e porque assim se pode estar próximo sem ser intrusivo, porque assim se pode estar informado sem ser bisbilhoteiro ou sem sentir aquela necessidade mórbida de tudo especular e tudo comentar.
A doença faz parte da Vida e o Paul está a lutar por ela. Lembrem-no nas vossas orações...
Raio de Sol

Novidades

No final deste mês vão surgir algumas novidades neste Planeta. Afinal já está quase a fazer meio ano que nasceu esta ideia, que eu nunca imaginei que ganhasse esta proporção, que fosse tão terapêutico e que me desse tanto prazer.

A primeira novidade já a vou revelar: vamos passar a ter um desafio, para já de periodicidade mensal, em que os seguidores deste Planeta poderão ser os autores da rubrica Gira-Discos vs Mp3. A primeira experiência foi tão bem sucedida que quero repetir. Já sabem que, sendo o meu pecado de raíz a Luxúria, isto dá "pano para mangas".

Depois vamos ter outra rubrica que ainda não está "baptizada" mas cuja génese já está definida. Acho que vai ser BESTIAL e o meu coração já palpita como uma batata frita na antecipação do resultado!

Neste meu Planeta densamente povoado, somos aproximadamente 3 pessoas e um gato por 0,5 metro quadrado (Ih!Ih!Ih!), gostamos de novidades!

Espero que gostem tanto como nós.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Por favor, digam "bom dia"...

Lembram-se do anúncio: "Diga bom dia com Mokambo, Mokambo, Mokambo..."? Pois bem, o meu apelo não é publicitário - não é preciso gastar dinheiro nem comer ou beber nada de especial. O meu apelo é muito simples: "Diga bom dia"!

Explico. Hoje voltei à minha antiga Universidade (Minho - Braga) para uma reunião no Departamento de Informática com o qual tento desenvolver trabalho de cooperação, no âmbito da empresa. Cheguei cedo, o encontro marcado começou um pouco mais tarde que o previsto e, como consequência, fiquei uns 30 minutos à espera, primeiro deambulando nos diversos corredores à procura do gabinete certo e depois esperando à porta pela chegada do meu interlocutor.
Era hora de entrada ao trabalho pelo que vi chegar várias pessoas - professores, alunos e funcionários. Mais de dez, seguramente, entraram no edifício e passaram por mim em corredores e halls sem mais ninguém. Nem um - nem mesmo um! - reconheceu a minha presença naqueles espaços dizendo "bom dia". Senti-me transparente e sem saber o que pensar.
A princípio ainda pensei "disseram bom dia baixinho e tu não ouviste" ou mesmo "têm uma capacidade de comunicar sem mexer os lábios e foi assim que disseram bom dia, mas tu não conseguiste ver nem ouvir"... Mas depois continuou a ser assim e eu não pude deixar de pensar: quando foi que deixámos de cumprimentar com um simples "bom dia" as pessoas que encontramos num local familiar como o nosso local de trabalho? Quando foi que passou a ser normal ignorar as pessoas ou fingir que não as vemos? Será assim noutros lugares e eu tenho sido afortunada ao ponto de não os conhecer ou de não ter reparado? Será assim nas Universidades onde a concentração de saber nos impede de interagir?... Espero que não e que este tenha sido um episódio insólito, mas isolado.
Já agora: "bom dia", "boa tarde" ou "boa noite", dependendo da hora do dia em que me estejam a ler... :-)
Raio de Sol

terça-feira, 11 de novembro de 2008

O sentido das prendas

Gosto muito de dar prendas. Sempre gostei. Gosto de pensar na pessoa e encontrar algo (uma coisa, um gesto) que a deixaria feliz. A sensação de ter encontrado "a prenda perfeita" é deliciosa. Porventura fico eu mais feliz do que a pessoa que recebe a prenda, embora eu deseje sempre que a alegria seja repartida. O valor nunca foi o mais importante e vai longe o tempo em que maioritariamente comprava as prendas. Agora, sempre que posso, faço-as eu mesma, tirando partido de alguma habilidade manual.

No ano passado predominavam os trabalhos em feltro. Este ano preparem-se os meus amigos, ou melhor, as minhas amigas... (sim, já vão perceber porquê só as amigas!). Durante a estadia nos EUA, e animada por uma colega americana, aprendi a fazer colares, pulseiras e brincos, a partir de contas dos mais diversos materiais (vidro, cristal, pedras naturais, etc...). Desde então (já lá vão uns meses) tenho-me deliciado a construir as minhas próprias peças, primeiro limitada às ideias das revistas, depois ganhando confiança para umas peças originais. É bom, é relaxante e faz-me bem. Outro dia dei por mim a sonhar que vendia algumas peças e percebi que, muito mais que o dinheiro, gostava de perceber se alguém valorizaria o que eu faço a ponto de querer comprar um colar, uma pulseira ou outra peça qualquer... :-) a propósito, aqui fica um exemplar (a fotografia não é o meu forte).

Para mim o sentido das prendas é a lembrança carinhosa de alguém a quem queremos bem e cujo sorriso queremos despertar.

Raio de Sol

I'm from outer space ou "Quando tudo está de pernas para o ar!"

Hoje tinha tudo para estar aborrecida, ando nauseada, com dores de cabeça e azia.
Para além disso quando acordei, de madrugada, chovia "desalmadamente". Tive de abandonar o quentinho da cama, os mimos do Miu, e enfrentar um dia chuvoso e cinzento. Tudo isso piorou consideravelmente quando o comboio atrasou, por motivo de avaria de outra composição na linha.
No laboratório estive a "desenvolver tarefas domésticas", que toda a gente sabe que eu ADORO! Sim, foi dia de descongelar o congelador e pôr reagentes em tupperwares. No fim do dia, atrasei-me e já não apanhei o comboio de volta que queria.

Apesar de tudo isso, passei e acabo o dia com um sorriso estúpido no rosto! E sei que vou chegar a casa e dançar como se não houvesse amanhã! Acho que até eu me surpreendo/confundo a mim própria.
Uma música dedicada a mim:



You're a carousel, you're a wishing well,
And you light me up, when you ring my bell.
You're a mystery, you're from outer space,
You're every minute of my everyday.

Pedi e ser-vos-á dado.

Às vezes esqueço-me de que há sempre algo acima de mim.

A semana passada sonhei/pedi um pequeno milagre e percebo agora que ele começa a acontecer. Às vezes basta pedir.

"Pedi, e ser-vos-á dado; procurai, e encontrareis; batei, e hão-de abrir-vos. Pois, quem pede, recebe; e quem procura, encontra; e ao que bate, hão-de abrir." Mt 7, 7

Obrigado!

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

What's Love Got To Do With It

"You must understand
That the touch of your hand
Makes my pulse react
That it's only that thrill
Of boy meeting girl
Opposites attract

It's physical
Only logical
You must try to ignore
That it means more than that

(...)

It may seem to you
That I'm acting confused
When you're close to me
If I tend to look dazed
I've read it someplace
I've got cause to be

There's a name for it
There's a phrase for it (...)"

Sinto uma coisa estranha pela minha dona. Ao princípio pensei que eram cólicas, mas agora já não tenho tanta certeza. A verdade é que não sei bem como me comportar ao pé dela, especialmente quando ela passa a noite fora e me deixa a dormir sozinho. Acho que começo mesmo a gostar desta miúda. Já vos disse como ela é estranha, mas há qualquer coisa nela que me deixa "confuso" e que eu adoro. Para já gosto dos ombros dela, adoro aquela covinha entre o pescoço e o ombro, já para não falar dos pés! Hum... os pés! Simply love it. Assim com uns dedos muito pequeninos e perfeitinhos, ideais para mordiscar e atacar. Aaaaaaaaaah e o colo? Esta piquenina tem um colo espectacular, assim aconchegadinho, quentinho, bom para todas as horas do dia e da noite. Sabe também como me arrancar ronrons com as festas que me faz na barriga e no pescoço...
Quando ela está mais enervada durmo juntinho da cabeça dela, que nesses dias parece uma panela de pressão, nos outros dias durmo junto ao colo dela ou bem junto da barriga. Não gosto muito do tempo que ela passa ao computador. Tento distraí-la, mas nem sempre sou bem sucedido. Corro de um lado para o outro, como o jornal, tento beber chá da caneca dela, passeio-me no teclado... Mas é só porque ela me deixa confundido, assim como se estivesse com gases. Ela é um bocado teimosa, de modo que a maioria das vezes só me resta render. Quando assim acontece, deito-me no colo dela, ou então naquele espaço aconchegado entre as suas costas e as costas da cadeira, e fico ali a aproveitar a proximidade e o quentinho. Sei que, depois de algum tempo, ela se vai lembrar de mim e dar-me umas festas daquelas que só ela sabe. E só por isso vale MUITO a pena.

domingo, 9 de novembro de 2008

Estes senhores têm um ar muito patusco

Hoje fui até Serralves, ver a retrospectiva de Juan Muñoz (a exposição termina a 18 de Janeiro de 2009). Foi um agradável passeio entre senhores com um ar muito patusco e amigável. Bem sei que esta não é uma apreciação relevante do ponto de vista artístico, mas foi assim que eu os achei, foi este o sentimento que em mim despertaram e foi por isto que gostei. Apoiada no guião da exposição pude acompanhar e conhecer o artista e a sua obra, observar as peças e deixar-me tocar por elas. E assim vale a pena.
O que também vale sempre a pena, qualquer que seja a altura do ano, é um passeio nos jardins da fundação. Hoje ficaram-me no olhar e na memória os tons dourados, castanhos e vermelhos das folhas das árvores e o sol quentinho do final da tarde. Viva o Outuno!
Raio de Sol

Gira-Discos vs Mp3 - 22


Depois do bem-sucedido desafio da semana passada, voltamos ao "normal" na vida desta rubrica.
No Gira-Discos Chris Isaak e no Mp3 Maria João e Mário Laginha.

Boa semana!

sábado, 8 de novembro de 2008

Shaken, not stirred!


Gosto do 007 desde miúda. A minha mãe apresentou-me o senhor e desde aí partilhamos as duas este gosto. E digo-vos, não há nada que una mais uma mãe e uma filha que um gosto pelo 007. Qual estar nove meses na barriga? (No meu caso nem isso eu lá estive, que eu tinha pressa e vim-me embora de lá mais cedo) Qual amamentar? (Eu também não me habituei muito a este ritual e portanto comecei (quase) logo com leite de lata) O que me une fortemente à minha mãe é este gosto pelo 007!

Fui ver o último filme do 007, Quantum of Solace, e devo dizer gostei! Gostei e pronto!

Muito tiro, sim senhor! Muita acção, sim senhor! Muita morte, sim senhor! Duas boazonas, sim senhor! E um Bond mais brutamontes, menos charmoso, mas mais humano. Um Bond mais sofrido,mais ferido, mas também por isso mais forte. Não é o meu preferido, mas Daniel Craig vai muito bem neste filme. A música inicial também é bastante diferente do que é comum num 007 movie, mais ácida, gostei!

Depois disto acho que vou passar a alternar o tinto alentejano com "Three measures of Gordon's, one of vodka, half a measure of Kina Lillet. Shake it very well until it's ice-cold, then add a large thin slice of lemon peel." E atenção: "Shaken not stirred!"

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Sou apaixonada por ele!

Sou uma apaixonada por muitas coisas, uma delas é o meu afilhado!
Hoje decidi "roubar" um post que escrevi no blogue dele (http://principezinho11.blogspot.com/) em Fevereiro deste ano.


"Fui convidada para ser madrinha dele quando a sua existência ainda era só um sonho. Soube que ele já existia na véspera de uma viagem e voltei “carregada” com o que viria a ser o seu primeiro presente: um papagaio colorido que até hoje continua pendurado no seu quarto!

Soube que ele era um ELE numa manhã, a meio caminho da Rua Dona Maria.
Nasceu num dia que ficou na história mundial actual (dia dos atentados de Madrid).
Peguei na mão dele, a primeira vez, no dia a seguir ao seu nascimento.
Desde logo não tive dúvidas é o afilhado MAI LINDO DO MUNDO! E a paixão oficializou-se com o primeiro toque.

Oficializou-se também este “amadrinhamento” e uma das mais belas fotos que possuo é desse dia e com ele. Ele dorme no meu colo e eu repouso o meu queixo na cabeça dele. É uma fotografia que transpira tranquilidade e carinho. Levei-o ao colo quando entrei na igreja e quando fui ler as leituras. Ele, claro está, quis morder o ambão e então tive que fazer dois em um, ler a leitura e afastá-lo do ambão “apetitoso” embalando-o na minha anca.

Fui acompanhando o crescimento dele e da última vez que o vi completamente saudável andava (andar não é bem o termo, parecia que ele queria atropelar o mundo).

Os acontecimentos que modificaram a vida deste afilhado, vocês já conhecem.

Desde essa altura para cá houve momentos de muita angústia, tristeza, medo e impotência. Ele e a família que o cerca foram revelando uma força, persistência e tenacidade que os elevou à classe de VERDADEIROS super-heróis. Nós, os amigos, fizemos alguns serões à porta das urgências para fazermos a única coisa que nos era possível, dizer que estávamos ali para o que desse e viesse. Lembro-me de quando lhe peguei a primeira vez após as ventilações. Foi estranho, confesso que parecia que estava a pegar numa mini-tábua de passar a ferro. A mãe tinha algum medo em deixar-nos aos dois, mas após insistência para que fosse arejar, ficamos os dois juntinhos, sozinhos com ele ao meu colo e comigo a dar-lhe banana esmagada. Cantei-lhe uma canção temática associada sempre com o mesmo tom e aquilo que parecia complicado decorreu com a normalidade possível. A minha admiração por esta família e por este afilhado cresce a cada dia que passa e neste mundo em que as certezas quase não existem, há uma que desde há muito me acompanha: a certeza de que este ser me faz querer ser uma pessoa melhor! Uma pessoa muito melhor!

Sou apaixonada por ele! Por questões profissionais já há mais de um ano que vivo fisicamente afastada dele 350Km.

Há dias em que chega a ser até fisicamente doloroso não estar perto dele. Chega a ser um vício dar-lhe beijos. Sentimos muitas saudades um do outro, mas quando nos reencontramos (como foi o caso do fim-de-semana passado) é como se houvesse uma mini-explosão de alegria! Juro que desta última vez até ouvi o fogo de artifício.Sempre lhe pergunto porque é que ele é tão lindo, a resposta é óbvia e vem com aquele bater de pestanas que só ele sabe fazer: “É LINDO PORQUE É LINDO! SÓ SABE SER LINDO!”

Poemas que vivem na Casota da Piquenina (12)

Contigo aprendi coisas tão simples by Ruy Belo

Contigo aprendi coisas tão simples como

a forma de convívio com o meu cabelo ralo
e a diversa cor que há nos olhos das pessoas
Só tu me acompanhastes súbitos momentos
quando tudo ruía ao meu redor
e me sentia só e no cabo do mundo
Contigo fui cruel no dia a dia
mais que mulher tu és já a minha única viúva
Não posso dar-te mais do te dou
este molhado olhar de homem que morre
e se comove ao ver-te assim presente tão subitamente

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Circunstâncias



Hoje tento adaptar-me às circunstâncias... mas não está fácil!

Lua em Carneiro

A Lua entrou na casa do Carneiro, segundo os mais "conceituados astrólogos".

Deve ter sido isso que me lixou o dia!
Isso ou algum boneco de vudu onde andaram o dia inteiro a espetar alfinetes!
Conseguiram o vosso objectivo! Agora, por favor, dêem-me uma folguinha. OK?
Post Scriptum: Por causa disso, vou mandar o antibiótico e o anti histamínico ao ar e abrir uma garrafa de tintol! Fucas!

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Tudo o que me vai cá dentro!

Decidi partilhar convosco o que me vai cá dentro.

Algo do meu interior!
Aqui vai!



A propósito da minha gripe

A propósito da minha gripe, lembrei me de uma música do Vitorino com letra do António Lobo Antunes. O título não podia ser melhor: "Todos Os Homens São Maricas Quando Estão Com Gripe".

Pachos na testa
Terço na mão
Uma botija

Chá de limão
Zaragatoas
Vinho com mel
Três aspirinas
Creme na pele
Dói-me a garganta
Chamo a mulher
Ai Lurdes, Lurdes
Que vou morrer
Mede-me a febre
Olha-me a goela
Cala os miúdos
Fecha a janela
Não quero canja
Nem a salada
Ai Lurdes, Lurdes
Não vales nada
Se tu sonhasses
Como me sinto
Já vejo a morte
Nunca te minto
Já vejo o inferno
Chamas diabos
Anjos estranhos
Cornos e rabos
Tigres sem listas
Bodes de tranças
Choros de corujas
Risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes
Que foi aquilo
Não é a chuva
No meu postigo
Ai Lurdes, Lurdes
Fica comigo
Não é o vento
A cirandar
Nem são as vozes
Que vêm do mar
Não é o pingo
De uma torneira
Põe-me a santinha
À cabeceira
Compõe-me a colcha
Fala ao prior
Pousa o Jesus
No cobertor
Chama o doutor
Passa a chamada
Ai Lurdes, Lurdes
Nem dás por nada
Faz-me tisanas
E pão de ló
Não te levantes
Que fico só
Aqui sózinho
A apodrecer
Ai Lurdes, Lurdes
Que vou morrer

domingo, 2 de novembro de 2008

Gira-Discos vs Mp3 - 21 (dois "vencedores")


Depois de lançado o desafio o júri, reunido na casota, decidiu publicar duas sugestões (uma só era pouco):

1) uma dupla feminina, que muito me agrada (em especial a ruiva) enviada pelo Luís R e

2) um conjunto BEM interessante enviado pela Maria Art (PJ e o Yorke together é bestial!).

Boa semana e obrigado pela participação!

Post Scriptum: Acho que vou lançar mais desafios destes!

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

For now there is no better song to describe where I'm going for the weekend



I know somewhere
There is a party going down
Interesting people
Conversation to be found
I've lived in cities
Where there is no solitude

I've made some friends here

That I hope I never lose

But, for now I want to stay in this quiet town
The neighbors on my block
They've got stories to tell
This is the grocery
But, once was a hotel
And Mr. Driskle he just stands there
With his smile Inviting everyone he sees
To come inside
This is the life I want to live in a quiet town

Ohhhh Sometimes I miss the show
I learned a long time ago
Ohhhh Sometimes I miss the show
I learned a long time ago



Come Sunday morning
There's a market on the square
Children are playing
Bells are ringing in the air
Old men are drinking
It's a lazy afternoon
Content with thinking
That there is nothing to do


But, for now
I'm going to stay in this quiet town
In this quiet town
In this quiet town


Josh Rouse

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

The Portuguese Patient

Se:

1) fosse no Norte de África (dispensava a Segunda Guerra Mundial) e

2) houvesse um Laszlo de Almásy,

eventualmente até não seria de todo mau e eu não me importaria de ser a doente inglesa, portuguesa, de Puka Puka ou até mesmo do Burkina Faso.

Como não há conde algum e a localização também não é a mais apetecível, estar doente ABORRECE-ME. Assim vou anotar e da próxima vez a ver se não me esqueço de:
1) viajar primeiro,
2) encontrar o conde
e adoecer depois.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Poemas que vivem na Casota da Piquenina (11)


Elle jouait avec sa chatte,
Et c'était merveille de voir
La main blanche et la blanche patte
S'ébattre dans l'ombre du soir.

Elle cachait — la scélérate ! —
Sous ces mitaines de fil noir
Ses meurtriers ongles d'agate,
Coupants et clairs comme un rasoir.

L'autre aussi faisait la sucrée
Et rentrait sa griffe acérée,
Mais le diable n'y perdait rien...

Et dans le boudoir où, sonore,
Tintait son rire aérien,
Brillaient quatre points de phosphore.


Paul Verlaine

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Gomorra

Fui ver o Gomorra. Aqui por terras do Norte há coisas que demoram mais tempo a chegar.

Adiante, há algum tempo que não saía de uma sala de cinema saciada. Desta vez Gomorra tratou-me das carências efectivas.

O filme desdobra-se em cinco histórias decorridas nos locais menos recomendáveis de Nápoles, investindo nas redes de violência, poder e influência da Camorra. Todos acabam por sentir o impacto que a máfia tem no seu dia-a-dia. Como é que cada um lida com isso é o que nos é dado a conhecer. A violência ultrapassa, em muito, os tiros e as esguichadelas de sangue.

Apesar de ser um filme sobre a máfia, não é o típico "filme da máfia". Matteo Garrone que quis filmar como "se tivesse passado ali por acaso", conseguiu-o. Assim Gomorra é filmada ao estilo de documentário, polvilhada de Massive Attack na banda sonora, que lhe assenta que nem uma luva. Falta-lhe (digo eu) a exploração mais psicológica das personagens, especialmente a do costureiro e a do correio de dinheiro mas, às vezes, não se pode ter tudo.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Se ela fosse só humana...

Aproveito a saída da minha dona, para vos escrever.

É uma paz quando ela não está aqui na casota!

Aquela miúda deixa-me os bigodes em pé. Se ela fosse só humana, eu até a conseguia entender, mas esta história de ela ser humana com alma de gata deixa-me gatofuso sem precisar de qualquer ajuda do John Cleese & Companhia (cliquem aqui).

Vou explicar tudo desde o início. Ela é, aparentemente, humana: postura bípede, compra a ração, vai ganhar os tostões, trata de todas as tarefas domésticas, limpa-me o caixote...

Até aqui tudo bem, mas depois vêem os outros comportamentos:

1) Espreguiçar: esta miúda a espreguiçar-se é tudo menos humana, caramba como ela se estica, já vi gatas com menos flexibilidade;

2) Ignorar-me: era suposto que no momento em que eu quisesse festas ela mas fornecesse, e LOGO. Nada mais errado, dá-mas quando ela quer e às vezes bem tenho que me esforçar;

3) Abandonar-me: é suposto os donos humanos ficarem cheios de peso na consciência por abandonarem o seu animal de estimação. Esta aqui está-se a borrifar, deixa-me sozinho fins-de-semana seguidos e não está nem aí. Quem fica a miar por ela sou eu;

4) Não me tenta prender: o comum é os donos tentarem limitar-nos o raio de acção, certo? Errado. Deixa-me ir para o terraço a meu bel-prazer e quando eu lhe desapareço da vista, para outros terraços ou sabe-se lá para onde, ela não fica mais de 20 segundos a chamar-me. Eu é que tenho que me mostrar e aparecer;

5) Lutar: nunca tal eu tinha visto, mas esta miúda põe as garras de fora e luta comigo. Puxa-me o rabo, dá-me patadas no lombo, fecha-me na despensa, "caça-me" e expulsa-me dos sítios!

E isto só para dar alguns exemplos.

Podem dizer que eu estou a exagerar e eu digo-vos - OK ela não mastiga ervas, nem anda a atirar-se de encontro às paredes para caçar borboletas e tira os bigodes (acho eu que é só para disfarçar), mas para mim tudo isto é só uma questão de tempo.

No entanto tenho que vos contar um segredo, aqui entre nós, não há colinho como o dela! Hum...

domingo, 26 de outubro de 2008

Pinguins e orquestras!


Recordei me deles!

Gosto de os ouvir em dias acinzentados.

Cliquem aqui se querem conhecer ou recordar!

Gira-Discos vs Mp3 - 20

No Gira-Discos a minha música preferida deste fantástico Senhor! Não está adaptado às condições climatéricas, até porque fala de um Blue Raincoat, mas não resisti!

No Mp3 uma Senhora, mas não daquelas que aparecem nas azinheiras. Esta sim é uma música para um dia soalheiro! Gosto de a ouvir pela manhã, quando o humor permite, para começar os dias aos pulinhos e a dançar! (Apesar de ser uma música antiga, esta versão encaixa no Mp3) Também faz parte da minha banda sonora para tarefas domésticas!

(Se me vissem a dançar isto de manhã, era oficial, iam-me internar sem apelo nem agravo!)

sábado, 25 de outubro de 2008

Miminhos a triplicar

Este miminho foi-me oferecido pelo meu Cucu (O Principezinho).
O Cucu é o meu afilhado, um dos heróis desta vida, um dos homens da minha vida e certamente um vencedor. E quando falo dele, falo também da família que lhe é mais próxima.


As regras deste presente são:
1) O vencedor recebe o prémio e deverá colocá-lo no seu Blog;
2) Deveremos fazer referência à pessoa que nos endereçou;
3) Enviar o mesmo prémio para 7 pessoas cujos os Blogues nos inspiram;
4) Deixar um comentário nos Blogues que selecionamos, para que a pessoa saiba que foi presenteada e quem a presenteou.

Isto não foi assim muito fácil (não consegui "arranjar" 7 blogues):

ADENDA: Depois deste prémio, que o Cucu me enviou, recebi mais dois! Por isso estou em overdose de Mimos! Assim este post, vai deixar de se chamar "Miminhos", para se passar a chamar "Miminhos a triplicar". Obrigado, you made my day!

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Simply love it, when she is working!

Porque senão é +/- isto que tenho que aturar!

Calvin: My tiger, it seems, is running 'round nude. This fur coat must have made him perspire. It lies on the floor - should this be construed as a permanent change of attire? Perhaps he considers its colors passe, or maybe it fit him too snug. Will he want it back? Should I put it away? Or use it right here as a rug?

Hobbes: I wonder when school starts.

Bem aventurados os que se riem deles próprios, porque nunca se lhes acabará a diversão!


Gargalhadas.


Altas, sonoras, bem colocadas é assim que as gosto de dar.
Daquelas que começam assim, passam pela fase de um esganiçamento e acabam com os olhos mareados de lágrimas e os braços a tentarem suster os espasmos abdominais.


Isto, às vezes, não é muito bem recebido pelo resto do mundo. A seriedade é sinónimo de competência e o riso sinónimo de loucura, deixa andar, incompetência, etc...



Não gosto do sorriso da Mona Lisa! É dúbio! Gosto de rir com os dentes todos!



Ao que parece, as minhas gargalhadas são contangiantes. Sonoras são de certeza, porque toda a gente consegue saber se eu estou ou não num sítio, pelo grau de ruído que é produzido. No último meio ano, em ambientes diferentes, com gente diferente, já por várias vezes me disseram que, na minha ausência, sentem falta das minhas gargalhadas. Eu acho que sentem falta é da palhaça de serviço, pouco preocupada com a imagem que passa ao resto do mundo. De qualquer das maneiras, gosto de provocar furacões de endorfinas! Gosto de me começar a rir interiormente quando começo a penso nalguma partida para pregar e gosto de me rir, alto e bom som, quando a concretizo!



Para finalizar, eu cá acho que se poderia acrescentar mais uma frase às bem-aventuranças: "Bem aventurados os que se riem deles próprios, porque nunca se lhes acabará a diversão!" (adaptado de uma expressão que ouvi da S.)

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Doméstica mas não Domesticada!

Hoje foi dia de ficar pela casota porque, entre vários motivos, o sr. Miu teve que ir à vet.

Aproveito para curtir a imensa luminosidade, e o sol, aqui sentada no "escritório" enquanto vos escrevo. Aproveitei também esta permanência para efectuar algumas tarefas domésticas (que eu pura e simplesmente detesto!).
Mas como a vida é demasiado efémera para grandes tristezas, tento colmatar isso pondo uma "banda sonora" animada e, inevitavelmente, acabo a dançar com a vassoura ou com a esfregona. Quando não "abuso" do meu lado de doméstica, consigo fazer tudo isso e não ficar de mau humor!
Neste momento alegra-me o facto da casota já não parecer o "fim do mundo em cuecas"!




Mas aqui entre nós só gosto da vassoura como meio de transporte. Eu e o Miu!

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Os poemas do gato


Os gatos também se alimentam de poemas!


The Naming of Cats - T.S. Eliot



The naming of cats is a difficult matter,
It isn't just one of your holiday games;
You may think at first I'm mad as a hatter
When I tell you a cat must have three different names.

First of all, there's the name
that the family use daily,
Such as Victor, or Jonathan,
George or Bill Bailey—
All of them sensible everyday names.
There are fancier names
if you think they sound sweeter,
Some for the gentlemen,
some for the dames;
Such as Plato, Admetus,
Electra, Demeter—
But all of them sensible everyday names.

But I tell you,
a cat needs a name that's particular,
A name that is peculiar, and more dignified,
Else how can he
keep up his tail perpendicular,
Or spread out his whiskers,
or cherish his pride?

Of names of this kind,
I can give you a quorum,
Such as Munkustrap, Quazo or Coripat,
Such as Bombalurina, or else Jellyrum—
Names that never belong
to more than one cat.

But above and beyond
there's still one name left over,
And that is the name that you will never guess;
The name
that no human research can discover—
But The Cat Himself Knows,
and will never confess.

When you notice a cat in profound meditation,
The reason, I tell you, is always the same:
His mind is engaged in rapt contemplation
Of the thought, of the thought,
of the thought of his name: His ineffable effable
Effanineffable
Deep and inscrutable singular Name.

O que toca no Planeta (2)



Graças à fabulástica Dani, eis o que toca neste momento no Planeta!

"If you don't like it maybe you can pee during this song."

How to confuse flowers!


Calvin: Flowers are pretty stupid.
See, it's a bright, sunny day out, right?
Well, with this watering can, I can make them think it's raining.
It's fun to mess with their minds.

Começa o dia!

O meu dia começa no comboio! Antes disso faço quase tudo em piloto automático, ainda mal acordada, com os olhos semi-cerrados e às vezes soltando todo o meu vernáculo.
Gosto dos dias como hoje, frios mas com um sol bestial.

Aqui no comboio, sento-me, ligo o computador, ponho uma música adequada ao estado de espírito e vou curtindo a viagem!

De vez em quando proporciono momentos agradáveis aos outros passageiros, como quando faço caretas olhando para o monitor, ou quando me esqueço de que há gente à minha volta e vou curtindo a música. Há quem já fique à espera do que vai acontecer.


Tudo isto me faz lembrar outras viagens, de outros tempos, onde na Linha de Sintra eu e o Xico proporcionavamos os melhores momentos da vida diária de algumas pessoas, logo pela manhã.

Ríamo-nos nós e todos os que estavam à nossa volta. Uns tentavam conter o riso, outros sorriam, outros gargalhavam mesmo! Não havia nada que nos deitasse abaixo, e aposto que muitos passageiros ansiavam por aquela viagem, povoada de boa disposição. Eu, com a minha voz baixinha, fazia-me ouvir por toda a carruagem, o P. dormia, o Xico era um companheiro à altura. Ainda agora passados alguns anos desse ritual eu e o Xico nos rimos ao lembrar! Que tolinhos! Aquilo só não era stand-up comedy porque íamos sentadinhos! :D

Agora não há Xico para acompanhar o que, para bem da população em geral, me faz ir caladinha. Mas às vezes a minha expressão facial ainda consegue arrancar alguns sorrisos!

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Poemas que vivem na Casota da Piquenina (11)

Nada podeis contra o amor,

Contra a cor da folhagem,
contra a carícia da espuma,
contra a luz, nada podeis.

Podeis dar-nos a morte,
a mais vil, isso podeis
- e é tão pouco.
Eugénio de Andrade

O que toca no Planeta


Eis o que toca, neste momento, no Planeta.

Bom para acompanhar com este dia chuvoso.

Enjoy.

Saint-Germain

Sou uma sortuda!

Apesar de tudo o que foi acontecendo tenho uma vida bestial! Além disso, estou rodeada de gente "fabulástica". Os meus amigos não são normais: 1) têm valores, 2) têm uma atitude (cor)recta na vida, 3) são solidários, 4) são empenhados em construir um mundo melhor, 5) têm muitas vezes um feitio insuportável que os torna únicos!

Apesar disso, não perdi a capacidade de fazer novos amigos e eles vão "acontecendo" um bocadinho por todo o lado onde passo. É certo que só "atraío" os loucos, como eu. So what?


Ao som de Saint-Germain o jantar de Sábado teve um gosto especial. Feito de cumplicidade e sinceridade, de boa disposição, de boa comida e boa bebida.

Por estes e outros acontecimentos, I'm a lucky one!

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Poemas que vivem na Casota da Piquenina (10)

Porque é Outono. Porque é segunda-feira. Porque sim.


CHANSON D’AUTOMNE

Les sanglots longs
Des violons
De l’automne
Blessent mon coeur
D’une langueur
Monotone.
Tout suffocant
Et blême, quand
Sonne l’heure,
Je me souviens
Des jours anciens
Et je pleure.

Et je m’en vais
Au vent mauvais
Qui m’emporte
Deçà, delà,
Pareil à la
Feuille morte.

Paul Verlaine

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Gira-Discos vs Mp3 - 19

Porque é muito provável que Domingo não possa fazer a nova edição, antecipei-a!
Este Mp3 é para o meu Cucu e o Gira-Discos para a minha Deizy!
Espero que tenham um fim-de-semana tão bom, como vai ser o meu!

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Mi mi mi mi mi mi mi


Sempre que fico aborrecida de estar no lab tento lembrar-me desta personagem.


E acompanho com esta musiquinha! Cliquem AQUI :D

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Poemas que vivem na Casota da Piquenina (9)

A Mãe Sisa pediu mais um.
O Zé continua a "impingir" o LisbonRevisited a toda a gente! (Zé dixit).
E eu continuo a dar largas ao meu pecado de raíz! Com meia dúzia de livros começados, só consigo persistir na leitura de poesia.

Para ela e para ele, e para o vastíssimo auditório (contando assim por alto são 3 pessoas) que por aqui passa, cá vai:

Lisbon Revisited

NÃO: Não quero nada.
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer. Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral! Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
Das ciências, das artes, da civilização moderna!


Que mal fiz eu aos deuses todos?
Se têm a verdade, guardem-na!
Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?

Não me macem, por amor de Deus!

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos? Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço.

Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!

Ó céu azul — o mesmo da minha infância —
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflete!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.

Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!

Fernando Pessoa

Poemas que vivem na Casota da Piquenina (8)

A todas as Sílvias que eu conheço, e são algumas! This is for you girls!

Silvia

WHO is Silvia? What is she?

That all our swains commend her?
Holy, fair, and wise is she;
The heaven such grace did lend her,
That she might admired be.

Is she kind as she is fair?
For beauty lives with kindness:
Love doth to her eyes repair,
To help him of his blindness;
And, being help'd, inhabits there.

Then to Silvia let us sing,
That Silvia is excelling;
She excels each mortal thing
Upon the dull earth dwelling:
To her let us garlands bring.

William Shakespeare

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