Poemas que vivem na Casota da Piquenina (12)
Contigo aprendi coisas tão simples by Ruy Belo
Contigo aprendi coisas tão simples como
A única certeza, neste planeta, é a de que ninguém sabe o que vai acontecer...
Contigo aprendi coisas tão simples by Ruy Belo
Contigo aprendi coisas tão simples como
Publicada por Piquenina à(s) 10:21 1 comentários
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A Lua entrou na casa do Carneiro, segundo os mais "conceituados astrólogos".
Publicada por Piquenina à(s) 19:33 2 comentários
Etiquetas: A caminho da loucura
Decidi partilhar convosco o que me vai cá dentro.

Publicada por Piquenina à(s) 20:12 5 comentários
Etiquetas: A caminho da loucura
A propósito da minha gripe, lembrei me de uma música do Vitorino com letra do António Lobo Antunes. O título não podia ser melhor: "Todos Os Homens São Maricas Quando Estão Com Gripe".
Pachos na testa
Terço na mão
Uma botija
Chá de limão
Zaragatoas
Vinho com mel
Três aspirinas
Creme na pele
Dói-me a garganta
Chamo a mulher
Ai Lurdes, Lurdes
Que vou morrer
Mede-me a febre
Olha-me a goela
Cala os miúdos
Fecha a janela
Não quero canja
Nem a salada
Ai Lurdes, Lurdes
Não vales nada
Se tu sonhasses
Como me sinto
Já vejo a morte
Nunca te minto
Já vejo o inferno
Chamas diabos
Anjos estranhos
Cornos e rabos
Tigres sem listas
Bodes de tranças
Choros de corujas
Risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes
Que foi aquilo
Não é a chuva
No meu postigo
Ai Lurdes, Lurdes
Fica comigo
Não é o vento
A cirandar
Nem são as vozes
Que vêm do mar
Não é o pingo
De uma torneira
Põe-me a santinha
À cabeceira
Compõe-me a colcha
Fala ao prior
Pousa o Jesus
No cobertor
Chama o doutor
Passa a chamada
Ai Lurdes, Lurdes
Nem dás por nada
Faz-me tisanas
E pão de ló
Não te levantes
Que fico só
Aqui sózinho
A apodrecer
Ai Lurdes, Lurdes
Que vou morrer
Publicada por Piquenina à(s) 19:20 0 comentários
Etiquetas: Clap Clap Clap
Publicada por Piquenina à(s) 19:04 3 comentários
Etiquetas: Gira-Discos vs Mp3
I know somewhere
There is a party going down
Interesting people
Conversation to be found
I've lived in cities
Where there is no solitude
I've made some friends here
That I hope I never lose
But, for now I want to stay in this quiet townPublicada por Piquenina à(s) 08:11 3 comentários
Etiquetas: E se também fossemos?
Publicada por Piquenina à(s) 08:22 1 comentários
Etiquetas: Tu queres ver...
Publicada por Piquenina à(s) 08:24 1 comentários
Etiquetas: Poemas que vivem na Casota
Fui ver o Gomorra. Aqui por terras do Norte há coisas que demoram mais tempo a chegar.
Publicada por Piquenina à(s) 08:18 1 comentários
Etiquetas: E se também fossemos?
Aproveito a saída da minha dona, para vos escrever.
Publicada por Miu à(s) 08:34 2 comentários
Etiquetas: Desabafos de um gato
Publicada por Piquenina à(s) 21:22 1 comentários
Etiquetas: Mimos para a alma
No Gira-Discos a minha música preferida deste fantástico Senhor! Não está adaptado às condições climatéricas, até porque fala de um Blue Raincoat, mas não resisti!
No Mp3 uma Senhora, mas não daquelas que aparecem nas azinheiras. Esta sim é uma música para um dia soalheiro! Gosto de a ouvir pela manhã, quando o humor permite, para começar os dias aos pulinhos e a dançar! (Apesar de ser uma música antiga, esta versão encaixa no Mp3) Também faz parte da minha banda sonora para tarefas domésticas!
(Se me vissem a dançar isto de manhã, era oficial, iam-me internar sem apelo nem agravo!)
Publicada por Piquenina à(s) 13:05 0 comentários
Etiquetas: Gira-Discos vs Mp3
Este miminho foi-me oferecido pelo meu Cucu (O Principezinho).Publicada por Piquenina à(s) 00:25 2 comentários
Etiquetas: Mimos para a alma

Calvin: My tiger, it seems, is running 'round nude. This fur coat must have made him perspire. It lies on the floor - should this be construed as a permanent change of attire? Perhaps he considers its colors passe, or maybe it fit him too snug. Will he want it back? Should I put it away? Or use it right here as a rug?
Hobbes: I wonder when school starts.
Publicada por Miu à(s) 16:00 0 comentários
Etiquetas: Desabafos de um gato
Publicada por Piquenina à(s) 09:33 4 comentários
Etiquetas: Clap Clap Clap
Hoje foi dia de ficar pela casota porque, entre vários motivos, o sr. Miu teve que ir à vet.
Publicada por Piquenina à(s) 16:23 2 comentários
Etiquetas: A caminho da loucura
Publicada por Miu à(s) 19:34 1 comentários
Etiquetas: Os poemas do gato
Publicada por Piquenina à(s) 15:44 1 comentários
Etiquetas: Clap Clap Clap
Publicada por Piquenina à(s) 11:47 1 comentários
Etiquetas: Clap Clap Clap
O meu dia começa no comboio! Antes disso faço quase tudo em piloto automático, ainda mal acordada, com os olhos semi-cerrados e às vezes soltando todo o meu vernáculo.Publicada por Piquenina à(s) 10:09 2 comentários
Etiquetas: A caminho da loucura
Publicada por Piquenina à(s) 16:09 2 comentários
Etiquetas: Poemas que vivem na Casota
Sou uma sortuda!
s não são normais: 1) têm valores, 2) têm uma atitude (cor)recta na vida, 3) são solidários, 4) são empenhados em construir um mundo melhor, 5) têm muitas vezes um feitio insuportável que os torna únicos! Publicada por Piquenina à(s) 08:34 1 comentários
Etiquetas: Mimos para a alma
Porque é Outono. Porque é segunda-feira. Porque sim.
Publicada por Piquenina à(s) 14:32 0 comentários
Etiquetas: Poemas que vivem na Casota
Publicada por Piquenina à(s) 11:45 1 comentários
Etiquetas: Gira-Discos vs Mp3
Publicada por Piquenina à(s) 15:57 0 comentários
Etiquetas: Clap Clap Clap
A Mãe Sisa pediu mais um.
O Zé continua a "impingir" o LisbonRevisited a toda a gente! (Zé dixit).
E eu continuo a dar largas ao meu pecado de raíz! Com meia dúzia de livros começados, só consigo persistir na leitura de poesia.
Para ela e para ele, e para o vastíssimo auditório (contando assim por alto são 3 pessoas) que por aqui passa, cá vai:
Lisbon Revisited
NÃO: Não quero nada.
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer. Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral! Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
Das ciências, das artes, da civilização moderna!
Que mal fiz eu aos deuses todos?
Se têm a verdade, guardem-na!
Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?
Não me macem, por amor de Deus!
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos? Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço.
Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!
Ó céu azul — o mesmo da minha infância —
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflete!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!
Fernando Pessoa
Publicada por Piquenina à(s) 19:37 3 comentários
Etiquetas: Poemas que vivem na Casota
A todas as Sílvias que eu conheço, e são algumas! This is for you girls!
Silvia
WHO is Silvia? What is she?
That all our swains commend her?
Holy, fair, and wise is she;
The heaven such grace did lend her,
That she might admired be.
Is she kind as she is fair?
For beauty lives with kindness:
Love doth to her eyes repair,
To help him of his blindness;
And, being help'd, inhabits there.
Then to Silvia let us sing,
That Silvia is excelling;
She excels each mortal thing
Upon the dull earth dwelling:
To her let us garlands bring.
William Shakespeare
Publicada por Piquenina à(s) 09:32 3 comentários
Etiquetas: Poemas que vivem na Casota

Mum: Wake up Calvin. It's time for school.
Calvin: I'm not going to school anymore.
Mum: You have to. It's the law.
Calvin: What about Hobbes? Why doesn't he have to go to school?
Mum: He's a tiger. Get up.
Calvin: What's being a tiger got to do with it?
Hobbes: Tigers wreck the grade curve.
Publicada por Miu à(s) 08:41 3 comentários
Etiquetas: Desabafos de um gato
Cântigo Negro de José Régio
«Vem por aqui» — dizem-me alguns com olhos doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: «vem por aqui»!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
-Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre a minha Mãe.
Não, não vou por ai! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: «vem por aqui»?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas, e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tectos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha Loucura!
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que me guiam, mais ninguém.
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: «vem por aqui»!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
- Sei que não vou por aí!
Publicada por Piquenina à(s) 15:28 0 comentários
Etiquetas: Poemas que vivem na Casota
Publicada por Piquenina à(s) 10:25 2 comentários
Etiquetas: Poemas que vivem na Casota
Mais um Domingo e mais uma edição de Gira-Discos vs Mp3.
Publicada por Piquenina à(s) 15:38 2 comentários
Etiquetas: Gira-Discos vs Mp3
De volta ao Auden. Desta feita O Tell me the Truth About Love. Enjoy it.
Some say that love's a little boy,
And some say it's a bird,
Some say it makes the world go round,
And some say that's absurd,
And when I asked the man next-door,
Who looked as if he knew,
His wife got very cross indeed,
And said it wouldn't do.
Does it look like a pair of pyjamas,
Or the ham in a temperance hotel?
Does its odour remind one of llamas,
Or has it a comforting smell?
Is it prickly to touch as a hedge is,
Or soft as eiderdown fluff?
Is it sharp or quite smooth at the edges?
O tell me the truth about love.
Our history books refer to it
In cryptic little notes,
It's quite a common topic on
The Transatlantic boats;
I've found the subject mentioned in
Accounts of suicides,
And even seen it scribbled on
The backs of railway-guides.
Does it howl like a hungry Alsatian,
Or boom like a military band?
Could one give a first-rate imitation
On a saw or a Steinway Grand?
Is its singing at parties a riot?
Does it only like Classical stuff?
Will it stop when one wants to be quiet?
O tell me the truth about love.
I looked inside the summer-house;
it wasn't ever there:
I tried the Thames at Maidenhead,
And Brighton's bracing air.
I don't know what the blackbird sang,
Or what the tulip said;
But it wasn't in the chicken-run,
Or underneath the bed.
Can it pull extraordinary faces?
Is it usually sick on a swing?
Does it spend all it's time at the races,
Or fiddling with pieces of string?
Has it views of its own about money?
Does it think Patriotism enough?
Are its stories vulgar but funny?
O tell me the truth about love.
When it comes, will it come without warning
Just as I'm picking my nose?
Will it knock on my door in the morning,
Or tread in the bus on my shoes?
Will it come like a change in the weather?
Will its greeting be courteous or rough?
Will it alter my life altogether?
O tell me the truth about love.
Publicada por Piquenina à(s) 03:41 0 comentários
Etiquetas: Poemas que vivem na Casota
A minha afilhada diz que sou cientista. E não podemos destruir os sonhos das crianças, não é?
Publicada por Piquenina à(s) 09:45 0 comentários
Etiquetas: A caminho da loucura, Clap Clap Clap
Muitas vezes "pego-me" com a tecnologia, à semelhança das guerras entre irmãos. Porque ela (a tecnologia) não colabora, não se quer ligar, não comunica em condições e no fim ainda recebe um doce!
Publicada por Piquenina à(s) 09:32 1 comentários
Etiquetas: Clap Clap Clap, em directo...
Publicada por Piquenina à(s) 13:25 0 comentários
Etiquetas: Gira-Discos vs Mp3
Dizem que o meu pecado de raíz é a Luxúria. Talvez!
Publicada por Piquenina à(s) 18:36 0 comentários
Etiquetas: Clap Clap Clap
Há precisamente um ano atrás viajei pela primeira vez para os EUA para iniciar um novo desafio profissional. Desde então passei cá 171 dias!!! (Não, eu não os contei por ser neurótica ou controladora, mas apenas porque tenho que o fazer para ficar muito atenta e não passar a barreira de 183 dias que me obriga a pagar impostos ao Tio Sam... coisa que não me apetece nem um bocadinho!)
Foi um ano cheio que passou muito depressa. Muitas viagens (demais, porventura!), muitas horas passadas em aeroportos e aviões e hábitos de sono bastante baralhados... Mesmo assim, tenho que dizer que gostei (ainda gosto) da experiência e por isso me apetece, em jeito de celebração, partilhar as lembranças boas que ficam...
Aqui vai uma lista (aqui chamam-lhe "laundry list") sem qualquer ordem, a não ser a da memória:
- As pessoas cumprimentam-te sempre com um sorriso, perguntam-te como estás e são, na generalidade, simpáticas e atenciosas (é certo que às vezes soa um pouquinho falso, mas antes assim do que uma cara carrancuda logo pela manhã)
- Os condutores são civilizados e respeitam (a esmagadora maioria) os limites de velocidade; zangam-se se não guardas uma distância de segurança do carro da frente
- As hospedeiras bonitas e simpáticas são um mito; por aqui são gordas, feias, velhas e mal humoradas... 90% das vezes, ou então são homens (aos quais posso atribuir os mesmos adjectivos)
- As bebidas gasosas são sempre servidas com gelo e toda a gente passa o dia a beber líquidos, com a excepção da água
- Dr. Peper é uma bebida gasosa popular que sabe a Nasomed - horrível!!!
- As doses de comida são na medida da grande maioria dos Americanos - enormes...
- Chicago é uma cidade linda - mesmo em pleno Inverno, com muita neve e muito frio
- 38º negativos é mesmo difícil de suportar... ao fim de 12 minutos as extremidades do corpo não cobertas congelam - assustador, não?
- A sopa tem sempre muita carne ou muito queijo ou muitas natas - não deviam chamar-se sopa!
- No Minnesota comem-se coisas estranhas: sopa de hamburguer de queijo, sopa de queijo com cerveja e pipocas, barras de chocolate envolvidas em massa de milho e fritas em óleo ou, créme de lá créme, bacon frito coberto com chocolate!!! Iac...
- 18:00 é a hora certa para jantar; depois das 20:00 é uma autêntica loucura...
- Os livros são baratos e isso é muito, muito bom... Para ser perfeito deviam ter à venda livros em Português :)
- Ninguém limpa a tua secretária, apenas despejam os caixotes do lixo... por isso o melhor é teres à mão um paninho e um líquido de limpeza para lidar com a acumulação de pó
- No cinema só vendem pipocas com sal, nunca com açucar... é uma pena!
- Os saldos não têm uma época específica, acontecem por tudo e por nada e podem ser muito bons! (Isto aliado a um dólar fraco é muito bom para "arejar cartões"...)
- As competições nacionais de desporto chamam-se "World Championship..." apesar de serem só entre equipas americanas; o pior é que eles não percebem porque é que está errado!
- Os lagos nesta região do país são enormes e lindos, em qualquer estação do ano; há muito verde, muitas árvores e o Outubo é particularmente bonito pela diversidade e beleza das cores das folhas. Indescritível mas memorável!
A juntar a tudo isto (e ao que ainda ficou por recordar) um grupo de excelentes colegas de trabalho, bons profissionais e bons companheiros, que ajudam a amenizar as saudades de casa e daqueles que amo.
Hoje estou feliz!
Publicada por Raio de Sol à(s) 22:46 2 comentários
Etiquetas: Raios de Sol
Publicada por Miu à(s) 14:32 5 comentários
Etiquetas: Desabafos de um gato
Hoje, para começar o mês de Outubro, trago-vos um poema de alguém cuja obra se confunde com a própria vida.
QUASE
Um pouco mais de sol — eu era brasa.
Um pouco mais de azul — eu era além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Assombro ou paz? Em vão... Tudo esvaído
Num baixo mar enganador d'espuma;
E o grande sonho despertado em bruma,
O grande sonho — ó dor! — quase vivido...
Quase o amor, quase o triunfo e a chama,
Quase o princípio e o fim — quase a expansão...
Mas na minh'alma tudo se derrama...
Entanto nada foi só ilusão!
De tudo houve um começo... e tudo errou...
— Ai a dor de ser-quase, dor sem fim... —
Eu falhei-me entre os mais, falhei em mim,
Asa que se elançou mas não voou...
Momentos de alma que desbaratei...
Templos aonde nunca pus um altar...
Rios que perdi sem os levar ao mar...
Ânsias que foram mas que não fixei...
Se me vagueio, encontro só indícios...
Ogivas para o sol — vejo-as cerradas;
E mãos de herói, sem fé, acobardadas,
Puseram grades sobre os precipícios...
Num ímpeto difuso de quebranto,
Tudo encetei e nada possuí...
Hoje, de mim, só resta o desencanto
Das coisas que beijei mas não vivi...
...........................................
...........................................
Um pouco mais de sol — e fora brasa,
Um pouco mais de azul — e fora além.
Para atingir, faltou-me um golpe de asa...
Se ao menos eu permanecesse aquém...
Mário de Sá-Carneiro
Publicada por Piquenina à(s) 11:11 0 comentários
Etiquetas: Poemas que vivem na Casota
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